Chapter 3
Capítulo 3
Nathan e Naly salvam Aruna de homens armados, levando-a para um esconderijo improvisado. Tensão aumenta entre Nathan e Naly, enquanto tentam extrair informações de Aruna e lidar com o medo de serem descobertos. Luiza percebe o perigo e tenta avisar Aruna. Marcon pressiona pela captura e Nathan questiona suas lealdades. No fim, uma nova ameaça surge, forçando todos a tomar decisões rápidas.
O silêncio que se seguiu ao confronto na rua era denso, carregado de respirações ofegantes e olhares assustados. Nathan mantinha a mão firme na arma, ainda atento a qualquer movimento dos homens caídos, enquanto Naly puxava Aruna, tentando acalmá-la com palavras suaves, mas trêmulas.
— Vem, rápido, antes que alguém veja — insistiu Naly, olhando nervosamente para os vizinhos curiosos que começavam a se aproximar das janelas.
Nathan abriu a porta traseira do carro dos homens armados e fez sinal para as duas entrarem. Aruna hesitou por um segundo, mas o pânico não lhe deu escolha. Ela obedeceu, permitindo que Naly a empurrasse para dentro. Nathan entrou logo após, assumindo imediatamente o volante.
— Segura firme — murmurou ele, ligando o motor e arrancando com um ronco que ecoou pela rua.
O carro avançou entre as vias do bairro, escapando do tumulto crescente atrás deles. Naly olhava para trás, tentando enxergar se estavam sendo seguidos, mas tudo o que via era o brilho forte do sol refletido nos vidros das casas.
Dentro do carro, Aruna tremia. Seus olhos iam de Nathan para Naly, confusa e assustada.
— Vocês... quem são vocês? — sussurrou, a voz falhada.
Nathan trocou um rápido olhar com Naly antes de responder, a voz baixa, cheia de tensão.
— Ninguém que queira te fazer mal. Só não estamos aqui por acaso.
Naly se aproximou de Aruna, tentando transmitir calma.
— Você está segura, por enquanto. Foi por pouco lá atrás.
Aruna assentiu, mas sua desconfiança era evidente. Ela se encolheu no banco, abraçando a bolsa com tanta força que os dedos ficaram brancos.
Nathan seguia pelas ruas do Rio, atento aos retrovisores. Até ali, nada indicava que estavam sendo perseguidos, mas ele sabia que isso podia mudar a qualquer segundo. O rádio do carro crepitou, com a voz de um dos capangas do grupo.
— Nathan, os caras do SUV sumiram. Só restaram os feridos. A polícia já chegou.
— Escondam as armas e sumam daí. Encontro vocês na rota dois — respondeu Nathan, mudando rapidamente de frequência para garantir privacidade.
Naly se acomodou ao lado de Aruna, observando-a com uma mistura de pena e curiosidade.
— Você não parece alguém tão perigosa assim — brincou, tentando aliviar o peso do momento.
Aruna forçou um sorriso.
— Não sou perigosa. Só quero uma vida normal. Mas ninguém me deixa em paz.
Nathan suspirou pesadamente, estacionando o carro em frente a um galpão abandonado, a poucas quadras dali. Ele abriu a porta, observando o entorno antes de sair. Fez sinal para elas descerem.
— Venham. Vamos esperar aqui até a poeira baixar.
O cheiro de ferrugem e mofo invadiu as narinas dos três ao entrarem no galpão. Raios de sol atravessavam frestas nas paredes de madeira, desenhando linhas douradas no ar empoeirado. Nathan checou rapidamente o local antes de fechar a porta.
— Por que me salvaram? — perguntou Aruna, a desconfiança aparente.
Nathan limpou o suor da testa e se apoiou numa viga.
— Porque alguém muito perigoso te quer. E nós temos ordens de te encontrar primeiro.
— Vocês trabalham para ele? — A voz de Aruna era quase um sussurro.
Naly a observava com atenção, e respondeu antes de Nathan.
— Nem sempre as coisas são tão simples. Às vezes a gente só faz o que precisa para sobreviver.
O clima entre eles ficou pesado. Nathan olhou de relance para Naly, como se quisesse dizer algo, mas se limitou a tirar o celular do bolso. Digitou uma mensagem curta avisando à equipe que estava seguro, e pediu para observarem possíveis movimentações nos arredores.
Enquanto isso, Aruna começou a se acalmar. Sentou num caixote de madeira e cobriu o rosto com as mãos. Naly se aproximou, sentando ao seu lado.
— Eu também já me senti assim — começou Naly, a voz baixa. — Com medo, sem saber em quem confiar.
Aruna afastou as mãos do rosto, encarando-a.
— Então por que você faz parte disso?
Naly pensou por um instante antes de responder.
— Porque eu não tive escolha. Eu cresci nesse mundo, longe da minha mãe. Só agora estou tentando entender quem eu sou — confessou.
Nathan pigarreou, tentando mudar de assunto.
— Precisamos decidir o que fazer. Não podemos ficar parados aqui por muito tempo.
Do lado de fora, o tempo parecia desacelerar, mas Nathan sentia as engrenagens do perigo girando rápido ao redor deles. Ele sabia que Marcon estava acompanhando tudo à distância, cada passo seu monitorado. E, naquela manhã, a pressão aumentava dos dois lados: Marcon queria resultado, e agora, com a polícia envolvida e outra equipe misteriosa atrás de Aruna, o risco de tudo desmoronar era maior do que nunca.
Nathan se afastou das garotas, pegando o rádio. Falou em voz baixa com um dos capangas.
— Preciso de um carro novo e passaportes para três pessoas. Encontro em dez minutos na rua da oficina velha.
Desligou e se virou para Naly e Aruna.
— Vamos sair daqui assim que der. O lugar não é seguro.
Naly assentiu, mas sua atenção estava dividida. O que a movia naquele momento não era apenas a missão: era o desejo de encontrar alguma pista sobre sua mãe, Luiza, e entender qual era o verdadeiro papel de Aruna naquilo tudo. Ela sabia que Nathan estaria atento a cada movimento seu, mas mesmo assim, arriscou perguntar:
— Aruna, você conhece Luiza? — A pergunta saiu rápida, quase como um impulso.
Aruna pareceu surpresa.
— Conheço. É minha tia. Foi ela que me ajudou quando fugi do Pará. Moramos juntas desde então. Por quê?
Naly sentiu o coração acelerar. Estava mais perto do que nunca de descobrir algo sobre sua mãe. Apesar da adrenalina, tentou manter a calma.
— Eu só ouvi falar dela.
Antes que pudesse insistir, Nathan interveio.
— Temos que ir agora. Fiquem próximas a mim.
Saíram do galpão em silêncio, caminhando rapidamente até a rua da oficina velha. A cidade parecia respirar em expectativa, e cada esquina era uma potencial armadilha. Nathan guiava as duas com firmeza, os olhos atentos a cada sombra.
O carro os esperava, discreto, estacionado junto ao meio-fio. Nathan abriu a porta de trás para Aruna e Naly, depois entrou no volante. Atravessaram quarteirões em silêncio tenso, até chegarem a um apartamento alugado por uma das células de Marcon. Ali, teriam um tempo para respirar — ou pelo menos era o que Nathan esperava.
No apartamento, Nathan se trancou na varanda e ligou para Marcon, o celular coberto por um lenço como bloqueador de som.
— Temos a garota. Mas houve uma confusão. Não estamos sozinhos nessa caça.
A voz de Marcon veio fria e cortante.
— Resolva. Não aceito falhas, Nathan. Você sabe o que está em jogo.
Nathan desligou, respirando fundo, sentindo o peso da responsabilidade e o olhar preocupado de Naly sobre si.
No interior, Naly sentou-se ao lado de Aruna, tentando puxar conversa de forma mais amistosa.
— Você sabia que alguém como meu pai te procuraria? — perguntou, sem rodeios.
Aruna balançou a cabeça negativamente.
— Só sabia do malfeito, o homem que meus pais queriam me obrigar a casar. Pensei que fugindo para o Rio tudo ficaria para trás. Mas parece que o passado nunca deixa a gente em paz.
Naly segurou sua mão, num gesto de solidariedade.
Nathan voltou à sala, o rosto mais fechado do que antes.
— Temos algumas horas até o próximo passo. Naly, fica de olho na porta. Se alguém estranho aparecer, me avise.
Ela assentiu e foi para junto da entrada, mas olhava para Nathan com preocupação.
Nathan se aproximou de Aruna, sentando-se de frente para ela. Seu olhar era menos duro do que costumava ser, talvez suavizado pela coragem que ela demonstrara.
— Você vai precisar confiar na gente, pelo menos por enquanto — disse ele, a voz mais branda.
Aruna assentiu, embora seus olhos ainda expressassem dúvida.
Minutos depois, o telefone do apartamento tocou. Naly atendeu, hesitante.
— Alô?
Do outro lado da linha, uma voz sussurrada.
— Naly, cuidado. Eles não são os únicos atrás de Aruna. — Era Luiza, que, mesmo sem saber exatamente o que acontecia, desconfiava do perigo iminente.
Antes que Naly pudesse responder, a linha caiu.
Ela olhou para Nathan, o medo em seus olhos claro como o dia.
— Precisamos sair daqui. Agora.
Nathan não questionou. Pegou uma mochila rápida com documentos e dinheiro. Chamou Aruna e Naly para perto.
— A saída dos fundos leva para um beco. Vamos até a marina. Só lá teremos chance de sumir desse radar.
Desceram as escadas apressados, ouvindo barulho de carros se aproximando na rua da frente. Naly sentiu o coração bater mais forte — não pelo perigo, mas pela estranha certeza de que ali, entre fugas e tiroteios, estava acontecendo uma escolha. Seu destino se entrelaçava com o de Nathan, de Aruna e, quem sabe, de sua própria mãe.
Chegaram à marina pouco antes do pôr do sol. Nathan negociou rápido com um pescador, conseguindo acesso a uma lancha. Entraram os três. O vento batia forte, o horizonte já rosado.
Nathan olhou para Naly, os rostos próximos. Por um instante, o barulho do motor encobriu o mundo ao redor. Era só eles dois, e um futuro incerto à frente.
— Você confia em mim? — perguntou ele, a voz rouca de emoção.
Naly sorriu, nervosa.
— Acho que vou ter que aprender.
Ele pousou a mão sobre a dela, num gesto de promessa silenciosa, enquanto Aruna olhava o horizonte, perdida entre o medo e a esperança. O barco partiu, levando os três para longe do perigo — mas a noite caía rápido, e, no cais, uma figura observava a lancha sumir, um celular na mão e um sorriso frio nos lábios.
Do outro lado da cidade, Marcon recebia uma nova mensagem misteriosa:
"Os seus não são os únicos caçadores. Prepare-se. O jogo mudou."
A ameaça estava longe de acabar.