Chapter 2
Capítulo 2
Nathan e Naly chegam ao Rio de Janeiro com a equipe. Naly insiste em participar da missão de capturar Aruna, mesmo contra a vontade de Nathan. Eles montam vigilância perto da casa de Luiza, onde Aruna vive. A tensão entre eles cresce, e Naly revela planos de encontrar sua mãe. Nathan a impede, mas um movimento inesperado de Aruna os força a agir, deixando o desfecho em aberto.
O barco cortava as águas escuras do oceano, deixando para trás a ilha de Marcon. A lua já se escondia atrás de nuvens grossas, e o vento soprava frio, trazendo o cheiro salgado do mar. Naly estava sentada na proa, as roupas ainda úmidas do mergulho, os cabelos grudados no rosto. Ela apertava a pistola de ouro contra o peito, os olhos fixos no horizonte que começava a clarear com os primeiros sinais do amanhecer.
Nathan se aproximou por trás, os passos silenciosos sobre a madeira do convés. Ele parou ao lado dela, as mãos nos bolsos, o olhar cansado.
— Você não vai dormir? — perguntou ele, a voz baixa para não acordar os outros homens que descansavam no interior do barco.
— Não consigo — respondeu ela, sem desviar o olhar. — Meu coração ainda está acelerado.
— Por causa do mergulho ou do beijo?
Ela virou o rosto devagar, um sorriso malicioso nos lábios.
— Os dois.
Nathan sentiu o calor subir pelo pescoço, mas ele segurou a compostura. Sentou-se ao lado dela, os ombros quase se tocando.
— Naly, você não pode vir com a gente amanhã. Quando chegarmos ao Rio, vou deixar você num hotel seguro. Assim que o serviço terminar, eu mesmo te levo de volta para a ilha.
— Não — disse ela, a voz firme. — Eu não vim até aqui para ficar trancada num quarto de hotel. Eu vou ajudar.
— Ajudar? Você nem sabe o que vamos fazer.
— Sei sim. Vamos encontrar aquela mulher, Aruna, e entregá-la ao cliente do meu pai.
— É mais que isso. Temos que observar, planejar, esperar o momento certo. Se você aparecer, vai atrapalhar.
Naly se levantou de repente, a pistola ainda na mão. Ela encarou Nathan, os olhos faiscando.
— Eu não sou uma criança, Nathan. Sei atirar, sei lutar. Meu pai me treinou desde pequena. E, além disso, conheço o Rio. Morei lá com minha mãe antes de ele me tirar dela.
Nathan também se levantou, a expressão séria.
— Sua mãe? Você lembra dela?
— Não. Mas sei que ela está lá. Minha tia Luiza me contou.
— Naly… — ele suspirou, passando a mão no rosto. — Isso não é uma viagem de férias. É uma missão perigosa. Se seu pai descobre que você está aqui, ele vai me matar. E pode matar você também.
— Ele não vai descobrir. Não se você ficar do meu lado.
Ela deu um passo à frente, ficando tão perto que ele podia sentir o calor do corpo dela. A respiração dele ficou irregular.
— Você está me colocando numa posição difícil — disse ele, a voz rouca.
— E você está me tratando como se eu fosse frágil. Não sou.
O barco balançou suavemente, e por um instante, eles ficaram em silêncio, o olhar preso um no outro. Nathan sentiu a vontade de beijá-la de novo, mas se conteve. Em vez disso, deu um passo para trás.
— Vamos descansar. Em algumas horas, estaremos no Rio. Depois, a gente vê o que faz.
— Isso não é uma resposta.
— É a única que você vai ter agora.
Ela bufou, mas não insistiu. Virou-se e foi para o interior do barco, deixando Nathan sozinho na proa. Ele olhou para o céu, as estrelas sumindo aos poucos. Sabia que estava cometendo um erro, mas não conseguia evitar. Naly mexia com ele de um jeito que nenhuma outra mulher tinha mexido.
Horas depois, o barco atracou num cais discreto na zona portuária do Rio de Janeiro. O sol já estava alto, e a cidade fervilhava com o barulho de carros, pessoas e vendedores ambulantes. Os homens de Nathan desembarcaram rapidamente, carregando mochilas e equipamentos. Naly os seguiu, vestindo uma jaqueta preta que escondia a pistola na cintura.
Nathan a olhou de lado, mas não disse nada. Sabia que discutir com ela era inútil.
— Primeiro, vamos para o ponto de observação — disse ele, puxando um mapa. — Fica num prédio abandonado na frente da casa da tia de Aruna. De lá, podemos vigiar sem ser vistos.
— E depois? — perguntou Naly.
— Depois, esperamos. Acompanhamos os passos dela por alguns dias. Vemos quando ela sai, com quem fala, a rotina. E aí atacamos no momento certo.
— Parece fácil.
— Não é. Ela já fugiu uma vez. Se desconfiar de algo, pode fugir de novo.
Eles seguiram por ruas estreitas, evitando as áreas movimentadas. O prédio abandonado era um casarão antigo, com janelas quebradas e paredes pichadas. Subiram até o terceiro andar, onde uma sala vazia oferecia uma vista perfeita da casa de Luiza — uma casa simples de dois andares, com uma varanda cheia de plantas.
Nathan montou o equipamento de vigilância: binóculos, câmeras e rádios. Os outros homens se espalharam pelos arredores, prontos para qualquer movimento.
Naly se sentou perto da janela, os olhos fixos na casa.
— Ela está lá? — perguntou ela.
— Deve estar. Não temos informações de que tenha saído hoje.
— E o que vamos fazer se ela aparecer?
— Observar. Só isso.
Ela mordeu o lábio, pensativa. Nathan percebeu que ela estava inquieta, como se quisesse fazer algo, mas ele não podia permitir.
— Naly, prometa que não vai fazer nenhuma loucura.
— Não posso prometer isso.
— Então vou te levar de volta agora mesmo.
— Você não faria isso.
— Quer apostar?
Ela o encarou, e por um momento, o ar entre eles ficou pesado. Mas antes que pudessem continuar a discussão, um dos homens falou pelo rádio.
— Nathan, temos movimento. Uma mulher acabou de sair da casa. Pode ser ela.
Nathan pegou os binóculos e apontou para a porta. Uma jovem de cabelos escuros, vestindo um vestido leve, saiu e fechou a porta atrás de si. Ela olhou para os lados, como se verificasse se estava sendo seguida, e depois caminhou em direção à rua.
— É ela — disse Nathan, a voz tensa. — Aruna.
Naly se levantou, o coração disparado.
— O que vamos fazer?
— Seguir. Mas de longe. Vamos ver para onde ela vai.
Ele fez um sinal para os homens, e dois deles saíram do prédio, misturando-se à multidão. Nathan e Naly ficaram na janela, observando.
Aruna caminhou por algumas quadras até entrar numa padaria. Ficou lá dentro por uns vinte minutos, comprou pão e leite, e depois voltou para casa. Nada de anormal.
— Ela parece uma pessoa comum — comentou Naly.
— É o que parece. Mas quem foge de um casamento forçado e se esconde por dois anos não é comum. Ela deve estar sempre alerta.
— E o cliente do meu pai? O que ele quer com ela?
— Não sei. E nem quero saber. Só sigo ordens.
Naly franziu a testa.
— Você não tem vontade própria, Nathan? Não pensa em sair disso tudo?
Ele a olhou, surpreso.
— Sair? Para onde? Isso é tudo que conheço.
— Podia ser diferente. Podia ter uma vida normal.
— Normal? — ele riu, sem graça. — Não sei o que é isso.
Ela se aproximou, colocando a mão no braço dele.
— Podia aprender.
O toque dela fez o coração de Nathan disparar. Ele desviou o olhar, tentando se concentrar na rua.
— Você é jovem, Naly. Ainda tem tempo para escolher. Eu já fiz as minhas escolhas há muito tempo.
— E se eu dissesse que quero que você escolha algo diferente?
Ele a encarou, os olhos escuros cheios de conflito.
— Não faça isso.
— Fazer o quê?
— Me confundir.
O silêncio entre eles foi cortado por um novo chamado no rádio.
— Nathan, ela saiu de novo. Desta vez, entrou num carro. Um Honda preto.
— Placa?
O homem passou a informação, e Nathan anotou rapidamente.
— Ela está indo para o centro. Vamos segui-la.
Ele se virou para Naly.
— Você fica aqui.
— De jeito nenhum.
— Naly…
— Eu vou com você. Ou vou sozinha.
Ele apertou a mandíbula, mas sabia que não adiantava discutir.
— Então vem. Mas faz exatamente o que eu disser.
Ela sorriu, triunfante.
— Combinado.
Desceram as escadas do prédio abandonado e entraram num carro velho que os homens haviam deixado estacionado nas proximidades. Nathan ligou o motor e seguiu na direção que o outro homem havia indicado.
O trânsito no Rio era caótico, mas Nathan dirigia com habilidade, mantendo distância do Honda preto. Aruna parecia não ter percebido que estava sendo seguida. Ela parou numa loja de roupas, depois numa farmácia, e por fim, entrou num prédio comercial.
— Ela deve estar trabalhando — disse Nathan, estacionando o carro a meia quadra de distância.
— Ou encontrando alguém.
— Vamos esperar.
As horas passaram devagar. O sol estava alto, e o calor dentro do carro era sufocante. Naly começou a ficar impaciente.
— Isso é chato.
— Vigilância é assim. Horas de tédio, minutos de ação.
— E quando chega a ação?
— Quando a gente menos espera.
Mal ele terminou a frase, o Honda preto saiu do estacionamento do prédio. Mas, desta vez, não estava sozinho. Um segundo carro, um SUV prata, saiu atrás dele.
— Quem é? — perguntou Naly.
Nathan apertou os olhos.
— Não sei. Mas não é um dos nossos.
Ele ligou o motor e começou a seguir os dois carros. O SUV prata mantinha uma distância constante do Honda, como se também estivesse seguindo Aruna.
— Tem mais alguém atrás dela — disse Nathan, a voz tensa. — E não é o cliente.
— Como sabe?
— Porque o cliente contratou a gente para encontrá-la. Não faria sentido mandar outra equipe.
— Então quem é?
— Talvez alguém que queira protegê-la. Ou alguém que queira pegá-la primeiro.
O coração de Naly acelerou. A situação estava ficando mais perigosa do que ela imaginava.
— O que vamos fazer?
— Descobrir.
Ele acelerou, fechando a distância. O SUV prata fez uma curva brusca, entrando num bairro residencial. O Honda fez o mesmo. Nathan os seguiu, mantendo-se a uma distância segura.
De repente, o SUV prata parou no meio da rua, bloqueando a passagem. O Honda freou bruscamente. Dois homens desceram do SUV, armados, e correram em direção ao carro de Aruna.
— Agora! — gritou Nathan, pisando no acelerador.
O carro dele avançou, batendo na lateral do SUV com um estrondo metálico. Naly segurou no banco, o coração na garganta. Os homens se viraram, surpresos, e Nathan saiu do carro, a arma em punho.
— Larguem as armas! — ordenou ele.
Mas eles não obedeceram. Um deles atirou, e Nathan se jogou para o lado, atrás do carro. Naly viu a cena e, sem pensar, abriu a porta e saiu, a pistola de ouro na mão.
— Naly, não! — gritou Nathan.
Ela ignorou. Apontou a arma e atirou duas vezes, acertando o braço de um dos homens, que caiu gritando. O outro hesitou, e Nathan aproveitou para desarmá-lo com um golpe rápido.
O silêncio caiu sobre a rua. Aruna estava dentro do carro, encolhida no banco, os olhos arregalados de medo.
Nathan se aproximou de Naly, ofegante.
— Você é louca. Completamente louca.
— Mas salvei sua vida.
Ela sorriu, e ele não conseguiu evitar um sorriso trêmulo.
— Vamos tirar ela daqui. Antes que apareça mais gente.
Ele bateu no vidro do Honda. Aruna hesitou, mas abriu a porta.
— Quem são vocês? — perguntou ela, a voz trêmula.
— Alguém que vai te proteger. Por enquanto.
Nathan olhou para Naly, e por um instante, o perigo parecia ter criado um laço ainda mais forte entre eles. Mas ele sabia que aquilo era só o começo. E que o pior ainda estava por vir.