Chapter 3

A primeira noite juntos

Valentina e Victor passam a primeira noite no mesmo quarto O clima é tenso, cheio de tesão e olhares famintos.

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A mansão de Victor era um silêncio que gritava. Quartos separados. Regras no contrato: nada de intimidade. Só aparência.

Valentina estava deitada de vestido de seda, o coração acelerado. Do outro lado do corredor, ela sabia que ele também estava acordado.

Um trovão. Luzes apagaram. Ela desceu com uma vela na mão e encontrou Victor na sala. Camisa branca, dois botões abertos, o cabelo bagunçado pela noite. O copo de uísque na mão, o olhar perdido na janela.

"Não consegue dormir?" a voz dele saiu baixa.

"Não." Ela respondeu e sentou no outro canto do sofá. Mas o quarto parecia pequeno demais pra distância que o contrato pedia.

A chuva batia no vidro. E o silêncio entre eles pesava. Pela primeira vez ele não parecia o magnata frio. Parecia só um homem. Cansado. Sozinho.

"Por que aceitou?" ela perguntou.

"Porque eu precisava disso." Ele virou pra ela. "E você?"

"Porque eu não tive escolha."

Victor se levantou devagar e parou na frente dela. Muito perto. A luz da vela iluminava o rosto dele. Dava pra sentir a respiração dele, o cheiro dele.

"Valentina..." ele sussurrou o nome dela como um aviso. "A gente não pode."

"Eu sei." A voz dela saiu falha.

Mas nenhum dos dois se mexeu. Os olhos dele desceram pra boca dela e voltaram pros olhos dela. A tensão estava insuportável.

Num impulso, ele encostou a mão no rosto dela. A pele dele estava quente. A dela gelou.

"Isso vai dar problema", ele murmurou.

"Já deu." ela respondeu.

E aí ele beijou ela. Não foi um beijo de contrato. Foi demorado, urgente, como se estivesse prendendo a respiração há dias. A mão dele segurou a nuca dela, a outra segurou firme o braço dela como pra ter certeza que era real.

Quando se separaram, os dois estavam ofegantes.

Valentina encostou a testa na dele e sussurrou com a voz trêmula: "Você é meu Victor."

Ele fechou os olhos. Como se aquela frase doesse e curasse ao mesmo tempo. "Isso não devia ter acontecido." disse ele, mas não se afastou.

"Eu sei."

E ficaram assim. Na escuridão, na tempestade, com um beijo proibido queimando entre eles e a certeza de que o contrato tinha acabado de virar cinzas.

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