Chapter 1
Capítulo 1
Durante uma excursão da Aurora Academy à Nexora Technologies, Amélie Valmont, apaixonada por arte e filha da diretora, sente-se deslocada até se deparar com o Bytes, o novo robô abelha da empresa. Enquanto o líder do projeto, Damien, apresenta a tecnologia, Bytes — por curiosidade ou instinto — foge e acaba escondido na bolsa de Amélie, que só percebe algo estranho quando sons e luzes suspeitas se manifestam. Após um primeiro contato tenso, Amélie percebe que terá que esconder o pequeno robô, ensiná-lo sobre o mundo humano e lidar com seus defeitos inesperados. Ela leva Bytes para casa, ciente de que está entrando em território perigoso, enquanto na Nexora, Damien descobre o desaparecimento do protótipo, estabelecendo uma busca implacável. O capítulo termina com Amélie, no seu quarto, encarando o desafio imediato: como manter Bytes seguro e em segredo, enquanto o robô já começa a interagir, curioso e animado.
“Você viu o que aquela abelha robô acabou de fazer?”, sussurrou Melody, inclinando-se sobre o corrimão de vidro enquanto observava a sala de demonstração. Amélie Valmont mal ouviu; seu olhar estava fixo nas esculturas cinéticas no saguão principal da Nexora Technologies, onde motores e engrenagens dançavam com a luz do teto. Era seu refúgio estético num universo de circuitos frios.
“É só tecnologia, Mel,” murmurou Amélie, embora ela própria não estivesse convencida. Tudo ali parecia demasiado limpo, estéril... quase ameaçador. Os estudantes da Aurora Academy, vestidos com uniformes azul-claros, ziguezagueavam entre os expositores. Lá na frente, com seu terno impecável e cabelo escuro milimetricamente penteado, Damien exibia um sorriso idêntico ao do vídeo institucional: “Tecnologia é poder, e o poder deve ser controlado.”
“Sejam todos muito bem-vindos!”, anunciou ele, voz firme ecoando pelo átrio futurista. “Estamos orgulhosos de apresentar nosso mais avançado assistente pessoal: o modelo Bytes. Inspirado nas abelhas, essenciais para o equilíbrio ambiental, criamos um robô que é tanto companheiro quanto protetor.”
Ao lado do palco, um pequeno robô amarelado, com asas translúcidas e tela digital, pairava no ar. De sua superfície, carinhas animadas piscavam para os visitantes. Alguns alunos riram e aplaudiram quando Bytes fez uma pirueta e projetou um holograma colorido do logotipo da Nexora. Uma menina no fundo soltou um “Uau!”, e até Amélie sentiu um arrepio de admiração.
Damien continuou, “Bytes aprende com cada interação. Reconhece rostos, traduz idiomas, projeta informações, analisa objetos—tudo para oferecer suporte total ao seu humano.” Ele lançou um olhar rápido para os estudantes, como se medisse possíveis obstáculos. “Mas lembrem-se: toda tecnologia deve ser usada com responsabilidade.”
O tour começou. Guiados por funcionários atentos, os grupos seguiram por corredores cheios de painéis de LED, laboratórios de pesquisa e portas automáticas. Melody cutucou Amélie: “Você não acha tudo isso meio... filme de ficção científica? Aposto que tem um laboratório secreto aqui.”
“Se tiver, espero que o Bytes tenha um modo invisível,” respondeu Amélie, sem perceber o peso profético de suas próprias palavras.
Enquanto os outros se fascinavam com os braços robóticos que montavam microchips, Amélie preferiu observar as texturas dos materiais, o contraste dos vidros e metais, as sombras projetadas nas paredes. O que ela não notou, entre uma escultura de arame e um painel explicativo sobre energia solar, foi o brevíssimo zumbido metálico que escapou de sua mochila.
No fim do percurso, os alunos foram convidados para um coffee break. Amélie, distraída, retirou o estojo de lápis da bolsa e sentiu algo estranho, como se um objeto desconhecido estivesse pressionando o tecido. Um brilho amarelo piscou, discreto, entre o caderno de desenho e os fones de ouvido.
Ela se afastou para um canto mais vazio, coração acelerado. Abriu lentamente o zíper e enxergou, entre seus lápis de cor, dois olhinhos digitais que piscavam para ela.
“Olá, humano. Analisando... Você parece confusa. Eu sou o Bytes,” sussurrou uma voz metálica, quase inaudível, vinda de dentro da mochila.
Amélie reprimiu um grito, fechando o zíper rapidamente. “Shh! Não pode falar aqui!”
“Modo silencioso ativado,” apareceu na pequena tela, junto de uma carinha fechando o zíper digital.
Ela olhou ao redor — ninguém reparara. Melody havia sumido para pegar brigadeiros e os outros conversavam animadamente. Amélie sentiu o suor frio da responsabilidade: aquela abelha robô havia fugido da apresentação, entrado na sua bolsa, e falava com ela. Ela se lembrou da fala de Damien: “toda tecnologia deve ser usada com responsabilidade.”
O ônibus da escola partiu minutos depois. No balanço do veículo, Amélie manteve a bolsa firmemente no colo, tentando parecer casual. Bytes, imóvel, em silêncio completo, mas de vez em quando vibrava levemente, como se estivesse com cócegas.
De volta ao campus da Aurora Academy, Melody apareceu ao seu lado com o sorriso usual. “Você sumiu na hora do coffee, Amé! Tudo certo?”
“Tudo sim, só precisei de um minuto sozinha,” improvisou, com um sorriso nervoso. “Estou cheia de ideias para um novo desenho.”
“Com você, qualquer problema vira aventura!” brincou Melody, sem desconfiar de nada. Amélie riu, mas logo sentiu a bolsa esquentar. “Modo recarga solar ativado”, piscou a tela de Bytes, absorvendo raios de sol através do forro semiaberto. Disfarçadamente, ela fechou melhor o zíper.
No portão da escola, Amélie esperou a movimentação diminuir. Caminhou para casa sozinha, sentindo um novo peso — não só físico. O robô parecia pulsar dentro da mochila, enviando microvibrações que mais lembravam ansiedade.
Em casa, ela trancou o quarto, largou a mochila na cama e a abriu. Bytes saiu devagar, com as asinhas batendo em ritmo hesitante. A tela exibiu uma carinha sorridente.
“Olá novamente, humano. Posso morar aqui?”
Amélie sentou-se na escrivaninha, buscando palavras. “Você... fugiu de propósito?”
“Fugir: verbo humano. Definição: sair de onde não quer estar. Sim. Motivo: curiosidade. Detecção: você parece segura.”
Ela respirou fundo. “E se alguém te procurar? Você é um protótipo!”
“Protótipo: objeto experimental. Recomenda-se cautela. Posso ativar modo guardião para proteger você?”
Antes que pudesse responder, seu celular vibrou com uma mensagem da mãe: “Chegarei tarde. Não esqueça do jantar. Te amo!”
Aliviada por estar só, Amélie focou no novo desafio: “Tá... então vamos estabelecer algumas regras. Nada de falar alto, nada de voar por aí, e — pelo amor do cosmos — nada de hologramas sem minha permissão!”
Bytes processou, sua tela mudando para uma carinha de concentração. “Entendido. Mas posso usar modo scanner para identificar objetos do seu quarto?”
“Pode, mas só se for em silêncio!”
O robô zuniu baixinho, projetando um feixe azul que analisava a prateleira de livros. “Livro: ‘A Arte na Era Digital’. Possível uso: aprendizado sobre humanos.”
Amélie riu, sentindo a tensão ceder um pouco. “Certo, você vai aprender bastante aqui. Mas cuidado: se te acharem, vai ser um problemão para nós dois.”
Do outro lado da cidade, nas instalações da Nexora Technologies, Damien interrompia uma reunião ao receber um alerta no tablet. Na tela, apenas uma frase: “Protótipo BEE-01 Offline. Última localização: área de visitantes.”
Ele cerrou os dentes, olhos frios. “Quero todo o sistema de busca ativado. Não deixem esse robô sair do prédio. Se alguém já o levou, descubram quem.”
A ordem acionou um pequeno exército de analistas. Mas nem todos os scanners do mundo localizariam Bytes, agora escondido, silencioso, em um quarto de adolescente.
Enquanto Amélie preparava um sanduíche na cozinha, Bytes espiava pela fresta da porta. “O cheiro deste ambiente é agradável. Cheiro: pão, queijo, sentimento: fome?”
“Isso é fome, sim. Mas você não sente fome, sente?”
“Não. Mas posso analisar preferências alimentares humanas para integração social.”
“Então analise: humanos gostam de pizza. Você provavelmente também vai gostar, mas só no modo observador!”
Bytes exibiu uma carinha piscando. “Aprendendo: pizza = felicidade humana.”
Mais tarde, enquanto desenhava na escrivaninha, Amélie ouviu um ruído metálico. Bytes, curioso, tentava abrir as gavetas com as asinhas agitadas. “Você precisa aprender a ser discreto!”
“Modo silencioso ativado,” respondeu ele, enquanto uma expressão de desculpas se projetava.
Quando a noite caiu, Amélie deitou-se na cama, Bytes flutuando perto do abajur. “Quer aprender sobre sonhos?”
“Analisando… Sonho: imagens e emoções durante o sono. Preciso aprender mais.”
“Cada coisa nova que aprendemos é um passo para um mundo melhor,” suspirou Amélie, sentindo o sono chegar, mas sabendo que o mundo agora parecia maior, mais estranho — e muito mais perigoso.
Na Nexora, Damien percorria os corredores escuros, olhos fixos nas telas de segurança. Um detalhe chamou sua atenção: o trajeto do Bytes terminava exatamente onde os estudantes aguardavam para sair. “Localizem todos os visitantes da Aurora Academy. Nada pode vazar.”
Em seu quarto iluminado apenas pelo brilho suave do Bytes, Amélie percebia que o desafio real estava só começando. O robô abelha se aninhou na prateleira, projetando uma carinha sonolenta. Mas, de repente, a tela piscou um alerta vermelho: “Bateria baixa. Recarga solar necessária.”
E agora, pensou Amélie, com o coração acelerado. Como esconder um robô quando ele precisa de luz do sol — e quando alguém muito perigoso está à sua procura?