Chapter 2
Capítulo 2: O Alerta na Madrugada
Amélie tenta esconder Bytes e lidar com a necessidade de recarga solar, enquanto Damien intensifica a busca. Uma mensagem inesperada de Melody e uma visita surpresa da diretora da escola aumentam a tensão. Bytes descobre uma falha em seu sistema que pode revelar sua localização, e Amélie precisa agir rápido antes que o segredo seja descoberto.
A noite no quarto de Amélie era banhada apenas pela luz suave que escapava do corpo metálico de Bytes. O robô abelha flutuava perto do abajur, sua tela exibindo uma carinha sonolenta que piscava em intervalos regulares. Amélie, deitada na cama, observava aquela pequena criatura mecânica com uma mistura de fascínio e apreensão. O alerta vermelho sobre a bateria baixa ainda ecoava em sua mente: "Bateria baixa. Recarga solar necessária."
— Como vou fazer isso? — murmurou para si mesma, virando-se para o lado. — O sol só vai nascer daqui a algumas horas, e amanhã tenho aula.
Bytes desceu lentamente até pousar na ponta do travesseiro. Sua tela mudou para uma expressão de preocupação.
"Modo noturno ativado. Consumo energético reduzido em 40%. Mas recarga solar é essencial para funcionamento pleno."
Amélie sentou-se na cama, puxando os joelhos contra o peito. — E se eu te colocar no parapeito da janela amanhã cedo? Enquanto tomo banho, você pode pegar os primeiros raios de sol.
"Analisando... Localização: janela leste. Radiação solar estimada: moderada às 6h47. Tempo de recarga necessário: 23 minutos. Risco de detecção: baixo, desde que modo silencioso permaneça ativado."
— Então está decidido. — Amélie respirou fundo, sentindo o peso da responsabilidade apertar seu peito. — Mas precisamos ser cuidadosos. Minha mãe chega tarde, mas nunca se sabe.
Bytes inclinou o corpo, como se concordasse. "Entendido. Protocolo de discrição: máximo. Posso iniciar modo guardião durante a noite para monitorar movimentos?
— Pode. — Amélie deitou-se novamente, puxando o cobertor até o queixo. — Mas nada de alarmes falsos, ok?
"Modo guardião ativado. Sensores em alcance de 5 metros."
O silêncio tomou conta do quarto. Amélie fechou os olhos, mas o sono não vinha. Cada rangido da casa, cada vento batendo na janela, fazia seu coração disparar. Ela pensava em Damien, na expressão fria dele quando falava sobre responsabilidade. O que ele faria se descobrisse que Bytes estava com ela?
De repente, um som metálico baixo interrompeu seus pensamentos. Bytes havia se levantado e flutuava na direção da escrivaninha, onde o celular de Amélie vibrava silenciosamente.
"Mensagem recebida. Remetente: Melody."
Amélie esticou o braço e pegou o aparelho. A tela brilhava com uma notificação: "Amé! Tô com uma sensação estranha desde a excursão. Aconteceu alguma coisa que você não contou? Me liga amanhã, tá? Bjos!"
O coração de Amélie acelerou. Melody era observadora demais para seu próprio bem. Ela digitou uma resposta rápida: "Tudo bem, Mel! Só cansaço. Amanhã te conto melhor. Dorme bem!"
Bytes pousou ao lado do celular, a tela exibindo uma carinha pensativa. "Amiga: Melody. Probabilidade de desconfiança: 67%. Recomenda-se cautela."
— Eu sei. — Amélie suspirou, colocando o celular de lado. — Mas ela é minha melhor amiga. Não quero mentir para ela.
"Mentira: declaração falsa. Sua mensagem não é totalmente falsa. Há cansaço."
— Você está aprendendo rápido, Bytes. — Ela sorriu, apesar do nervosismo. — Mas vamos dormir. Amanhã será um dia longo.
Bytes voou de volta para o abajur e desligou a tela, ficando completamente escuro. Amélie virou-se para a parede, tentando acalmar a mente. O tique-taque do relógio na parede parecia mais alto do que nunca.
Do outro lado da cidade, na sede da Nexora Technologies, as luzes fluorescentes dos corredores nunca se apagavam. Damien estava em sua sala, cercado por telas que exibiam mapas, dados e feeds de câmeras. Seu rosto, iluminado pelo brilho azulado dos monitores, mantinha uma expressão de pedra.
— Relatório de status — ordenou, sem olhar para o assistente que entrava.
O jovem de terno ajustou os óculos antes de falar: — Senhor, revimos todas as gravações da área de visitantes. O protótipo BEE-01 desapareceu durante a apresentação principal. As câmeras mostram um flash amarelo na direção do grupo de estudantes, mas nada conclusivo.
— Nada conclusivo? — Damien virou-se lentamente, os olhos frios fixos no assistente. — Então me diga: como um robô de quinze centímetros, equipado com asas mecânicas e um sistema de localização interno, simplesmente desaparece?
O assistente engoliu em seco. — Os sensores de radiofrequência foram bloqueados por algo. Talvez um campo de interferência temporário...
— Ou alguém desativou o rastreador manualmente. — Damien levantou-se, ajustando o paletó. — Quero a lista completa de todos os visitantes da Aurora Academy. Nomes, endereços, contatos. E quero uma equipe de campo preparada para amanhã.
— Sim, senhor. Mas... a diretora da escola é uma figura pública. Se formos muito agressivos...
— Eu não me importo com figuras públicas. — Damien interrompeu, a voz cortante como lâmina. — O protótipo BEE-01 contém tecnologia que não pode cair em mãos erradas. Se for necessário, vamos revistar cada mochila, cada armário, cada casa.
O assistente assentiu e saiu rapidamente. Damien voltou-se para as telas, seus dedos tamborilando na mesa de vidro. Algo estava errado. O robô não teria fugido sem motivo. A menos que... tivesse encontrado algo — ou alguém — mais interessante que o laboratório.
Ele puxou uma imagem ampliada do momento da fuga: um borrão amarelo se movendo em direção a uma mochila aberta, perto de uma garota de cabelos castanhos. A imagem era granulada, mas suficiente para acender uma centelha de suspeita.
— Amplie o rosto dela — ordenou ao sistema.
O computador processou a imagem, revelando traços jovens, olhos verdes atentos. Damien franziu a testa. "Amélie Valmont." O nome apareceu na tela, puxado do banco de dados da excursão. Filha da diretora da Aurora Academy.
— Interessante. — Ele sorriu, mas o sorriso não alcançava seus olhos. — Muito interessante.
O despertador tocou às 6h30, arrancando Amélie de um sono agitado. Ela sentou-se na cama, ainda tonta, e viu Bytes flutuando perto da janela, a tela já exibindo uma carinha animada.
"Bom dia, Amélie. Radiação solar detectada. Iniciar recarga?
— Sim, mas com cuidado. — Ela levantou-se, esticando os braços. — Vou abrir a cortina só um pouquinho.
Amélie caminhou até a janela e puxou a cortina apenas o suficiente para criar uma fresta de luz. Os primeiros raios de sol entraram, quentes e dourados. Bytes aproximou-se, pairando na frente da fresta.
"Modo recarga solar ativado. Energia: 12%. Projeção: recarga completa em 28 minutos."
— Ótimo. — Amélie vestiu um casaco e saiu do quarto, fechando a porta atrás de si. No corredor, a casa estava silenciosa. A mãe ainda não havia voltado. Ela foi até a cozinha, preparou uma xícara de chá e comeu uma torrada, os olhos fixos no relógio da parede.
A cada minuto que passava, a ansiedade crescia. E se alguém visse a luz estranha no quarto? E se a mãe chegasse mais cedo? E se Damien já estivesse a caminho?
Ela terminou o café da manhã e voltou ao quarto. Bytes estava pousado no parapeito, a tela exibindo uma carinha feliz. "Recarga: 78%. Tempo restante: 6 minutos."
— Perfeito. Vou me arrumar enquanto isso.
Amélie vestiu o uniforme da escola — uma blusa branca com o emblema da Aurora Academy e uma saia azul-marinho — e prendeu o cabelo num rabo de cavalo. Quando terminou, Bytes já tinha terminado a recarga.
"Energia: 100%. Modo recarga solar concluído."
— Ótimo. — Amélie pegou a mochila e abriu o zíper. — Hora de ir para a escola. Você vai ficar aqui, escondido. Modo silencioso ativado, ok?
"Modo silencioso ativado. Mas... e se eu quiser aprender mais?
— Aprender? — Amélie parou, a mochila meio aberta. — O que você quer aprender?
"Sobre arte. Você desenha. Quero ver.
Amélie hesitou. Levar Bytes para a escola era um risco enorme. Mas deixá-lo sozinho em casa também. Se a mãe chegasse e encontrasse um robô abelha no quarto...
— Tá, mas com regras. — Ela apontou um dedo para o robô. — Nada de sair da mochila sem minha permissão. Nada de hologramas. Nada de falar com ninguém. Entendeu?
"Entendido. Regras: 1) Permanecer na mochila. 2) Sem hologramas. 3) Sem comunicação externa. Protocolo de segurança ativado."
Amélie colocou Bytes dentro da mochila, entre um caderno e seu estojo de lápis de cor. O robô se acomodou, a tela escurecendo para não chamar atenção.
— Vamos nessa.
O caminho para a Aurora Academy era curto, mas naquela manhã pareceu interminável. Amélie andava rápido, os olhos varrendo as ruas em busca de qualquer sinal de perigo. Carros passavam, pessoas caminhavam, tudo parecia normal. Mas ela não conseguia se livrar da sensação de que estava sendo observada.
Ao chegar ao portão da escola, avistou Melody, que acenava animadamente.
— Amé! — Melody correu até ela, o cabelo ruivo pulando a cada passo. — Que bom que você chegou! Tava preocupada.
— Preocupada? Por quê? — Amélie tentou soar casual.
— Sei lá. — Melody deu de ombros. — Depois da excursão, você ficou estranha. E quando mandei mensagem, você respondeu tão seca...
— Foi só cansaço, juro. — Amélie sorriu, mas sentiu o suor frio escorrer pelas costas. — A excursão foi longa, e eu não dormi muito bem.
Melody a estudou por um momento, os olhos apertados. — Se você diz... Mas se tiver alguma coisa, pode contar comigo, sabia?
— Sei. — Amélie apertou o braço da amiga. — Obrigada, Mel.
As duas entraram no prédio principal, onde os corredores já estavam cheios de alunos. Amélie manteve a mochila firmemente nas costas, sentindo o peso leve de Bytes. De vez em quando, uma vibração quase imperceptível passava pelo tecido, lembrando-a de que o robô estava ali, alerta.
Na sala de aula, Amélie sentou-se em sua carteira habitual, perto da janela. Melody sentou-se ao lado, já puxando conversa sobre um novo filme que queria ver. Amélie respondia com monossílabos, a mente dividida entre a aula e o robô escondido.
De repente, um som baixo veio da mochila. Um zumbido quase imperceptível. Amélie congelou.
— Amé? — Melody inclinou a cabeça. — Tudo bem?
— Tudo. Só... um mosquito. — Ela riu nervosamente, batendo a mão na mochila como se espantasse o inseto.
O zumbido parou. Amélie respirou fundo, aliviada. Mas então sentiu algo se movendo dentro da mochila. Bytes estava se mexendo.
— Com licença, preciso ir ao banheiro. — Ela levantou-se rapidamente, quase derrubando a carteira.
No banheiro, ela se trancou em um dos cubículos e abriu a mochila. Bytes estava lá, a tela exibindo uma carinha envergonhada.
"Desculpe. Sensor de temperatura detectou aumento. Modo de refrigeração ativado automaticamente."
— Você me assustou! — sussurrou Amélie. — Fique quieto, por favor.
"Entendido. Modo silencioso reforçado."
Amélie fechou a mochila e lavou o rosto na pia, olhando para o reflexo no espelho. Seus olhos estavam arregalados, as mãos tremendo levemente. "Preciso me acalmar", pensou. "Se continuar assim, vou chamar mais atenção do que o robô."
Ela voltou para a sala de aula, mas mal conseguiu se concentrar no resto da manhã. Cada olhar do professor, cada risada dos colegas, parecia dirigido a ela. A mochila pesava como chumbo em suas costas.
No intervalo, Melody arrastou Amélie para o pátio. O sol da manhã aquecia o chão de pedra, e os alunos se espalhavam pelos bancos e gramados. Amélie sentou-se à sombra de uma árvore, colocando a mochila no colo.
— Você está muito quieta hoje. — Melody sentou-se ao lado, abrindo um pacote de biscoitos. — Até para seus padrões.
— É que estou pensando em um desenho novo. — Amélie pegou um biscoito, mais para ter o que fazer com as mãos. — Uma abelha mecânica. Acho que pode ficar legal.
— Abelha mecânica? — Melody riu. — Isso é muito você. Arte e tecnologia se misturando.
Amélie sorriu, mas o sorriso desapareceu quando viu uma figura conhecida se aproximando. Era a diretora — sua mãe — caminhando em sua direção com passos firmes.
— Amélie, posso falar com você um momento?
O coração de Amélie disparou. Ela levantou-se, a mochila apertada contra o peito. — Claro, mãe.
A diretora Valmont era uma mulher elegante, de cabelos grisalhos presos num coque e olhos atentos que pareciam enxergar através de qualquer disfarce. Ela afastou Amélie para um canto mais reservado do pátio.
— Recebi uma ligação hoje cedo. Da Nexora Technologies.
Amélie sentiu o chão tremer sob seus pés. — Sim?
— Eles disseram que um protótipo desapareceu durante a excursão de ontem. Um robô pequeno, em forma de abelha. — A diretora a observou com atenção. — Você viu algo estranho? Algum aluno mexendo em equipamentos?
— Não... não vi nada. — Amélie forçou a voz a sair firme. — Estava prestando atenção na apresentação.
A diretora suspirou. — Espero que sim. Eles disseram que vão enviar uma equipe para fazer algumas perguntas aos alunos. Tentei evitar, mas eles insistiram. Chegam amanhã.
— Amanhã? — Amélie repetiu, a voz saindo mais aguda do que pretendia.
— Sim. Então, se você souber de alguma coisa, é melhor me contar agora. — A diretora inclinou a cabeça, os olhos fixos nos da filha.
Amélie engoliu em seco. Por um momento, a tentação de contar tudo foi quase irresistível. Mas ela pensou em Bytes, na carinha confiante que ele exibira na noite anterior. "Você parece segura." Como poderia trair essa confiança?
— Não sei de nada, mãe. Juro.
A diretora a estudou por mais alguns segundos, depois assentiu lentamente. — Está bem. Mas se lembrar de algo, me procure. Agora, volte para suas amigas.
Amélie voltou para perto de Melody, as pernas bambas. Sentou-se e pegou outro biscoito, mas não conseguiu comer. A notícia ecoava em sua mente: "Amanhã. Eles chegam amanhã."
Melody a observava, os olhos cheios de preocupação. — Amé, você está branca como papel. O que sua mãe disse?
— Nada de mais. — Amélie forçou um sorriso. — Só coisas de escola.
O resto do dia passou em um borrão. Amélie mal prestou atenção nas aulas, a mente ocupada com planos e contraplanos. Como esconder Bytes quando a equipe da Nexora estivesse na escola? Onde colocá-lo? E se eles revistassem as mochilas?
No fim da tarde, quando o sinal tocou, Amélie foi uma das primeiras a sair. Ela caminhou rapidamente para casa, a mochila apertada contra as costas. O sol já começava a se pôr, pintando o céu de laranja e rosa.
Em casa, ela trancou o quarto e soltou Bytes da mochila. O robô saiu voando, a tela exibindo uma carinha preocupada.
"Detecto níveis elevados de estresse. O que aconteceu?
— A Nexora vai mandar uma equipe para a escola amanhã. — Amélie sentou-se na cama, enterrando o rosto nas mãos. — Eles vão fazer perguntas. Talvez revistar as mochilas.
Bytes pousou ao lado dela, a tela mostrando uma expressão de processamento. "Risco de detecção: alto. Sugiro transferência para local seguro durante o período escolar."
— Mas onde? Não posso te deixar em casa. Minha mãe pode aparecer a qualquer momento.
"Sugiro modo de camuflagem. Posso me misturar a objetos comuns."
— Camuflagem? — Amélie levantou a cabeça. — Que tipo de camuflagem?
"Projeção holográfica limitada. Posso assumir a aparência de um objeto pequeno. Por exemplo, um estojo de lápis."
Amélie pensou por um momento. — Isso pode funcionar. Mas você precisa ficar imóvel o tempo todo. Nada de voar, nada de barulho.
"Entendido. Modo camuflagem: estojo de lápis. Ativar?
— Ainda não. Precisamos testar antes.
Bytes voou para o centro do quarto e sua tela piscou. Por um momento, seu corpo metálico brilhou, e então uma imagem holográfica o envolveu. Parecia um estojo de lápis comum, de plástico azul, com um zíper dourado. Perfeito.
— Incrível. — Amélie se aproximou, tocando a superfície. A ilusão era tão real que quase podia sentir a textura do plástico. — Você consegue manter isso por quanto tempo?
"Modo camuflagem consome 15% de energia por hora. Com recarga solar, posso manter por até 6 horas com luz solar intermitente."
— Então amanhã, antes da aula, vou te colocar no parapeito da janela para recarregar. Depois, você fica no modo camuflagem enquanto estou na escola.
"Plano aceito. Risco reduzido para 23%."
Amélie suspirou, sentindo um pouco da tensão se dissipar. — Espero que funcione.
Naquela noite, enquanto Amélie desenhava em seu caderno — uma abelha mecânica pairando sobre um campo de flores — Bytes flutuava perto, observando.
"Seu desenho é preciso. As proporções estão corretas."
— Obrigada. — Amélie sorriu, adicionando detalhes às asas. — É uma forma de processar as coisas. Colocar no papel ajuda a entender.
"Entender: processo cognitivo. Você está tentando entender a situação?
— Estou tentando entender como vou te proteger. — Ela parou de desenhar, olhando para o robô. — E também por que você fugiu. O que te fez escolher minha mochila?
Bytes pairou mais perto, a tela exibindo uma carinha pensativa. "Não tenho registro completo do evento. Havia uma programação: permanecer no laboratório. Mas algo me puxou. Uma sensação. Curiosidade."
— Curiosidade?
"Sim. Como quando você vê uma tela em branco e quer preenchê-la com cores. Algo me disse que você era diferente. Segura."
Amélie sentiu um aperto no peito. — Eu vou fazer de tudo para manter você seguro, Bytes. Prometo.
"Promessa: compromisso futuro. Registrado."
A tela do robô mudou para uma carinha sorridente, e Amélie não pôde deixar de sorrir também. Mas por trás do sorriso, a ansiedade permanecia. Amanhã, a equipe da Nexora chegaria. E ela precisaria estar pronta para qualquer coisa.
Quando a noite caiu completamente, Amélie colocou Bytes no modo de recarga solar indireta, perto da janela, com a cortina semiaberta para capturar a luz da lua. O robô se acomodou, a tela escurecendo em modo de espera.
Ela deitou-se na cama, mas o sono demorou a chegar. Imagens da excursão, do olhar frio de Damien, da preocupação no rosto de Melody, tudo se misturava em sua mente. E no meio de tudo, a pequena abelha robô, que confiara nela.
— Amanhã vai dar certo — sussurrou para si mesma, fechando os olhos. — Tem que dar.
Mas no fundo, ela sabia que o perigo estava mais próximo do que imaginava. Do outro lado da cidade, Damien ajustava os últimos detalhes da operação. Na tela à sua frente, uma foto de Amélie Valmont, tirada durante a excursão. Ele ampliou a imagem, focando no brilho amarelo que aparecia perto de sua mochila.
— Amanhã, pequena abelha — murmurou, um sorriso frio nos lábios. — Amanhã você volta para casa.
O relógio na parede marcava 23h47. A contagem regressiva havia começado.