Chapter 1
Capítulo 1: A Noiva Substituta
Débora descobre que será noiva de Dante Vitalle no lugar da irmã Diana, que fugiu. Em poucas horas, precisa se preparar para um casamento às pressas, lidando com o vestido apertado e a surpresa do noivo.
— Você vai se casar com o Dante Vitalle. Hoje. Daqui a três horas.
Meu pai largou a frase na mesa do café como quem serve um pão amanhecido. Eu engasguei com o leite.
— O quê?
— Diana fugiu. Deixou um bilhete dizendo que não aguentava a pressão. O carro do Vitalle já está a caminho para pegar a noiva. E a noiva é você.
Eu olhei para o meu reflexo na xícara. Cabelo bagunçado, rosto ainda inchado de sono. E o corpo que sempre foi o oposto do da minha irmã. Diana era fina como um caule, eu era mais... robusta. Gordinha, para ser exata. Sem rodeios.
— Mãe, eu não posso. Não combinei com isso. E o vestido? O vestido da Diana não vai servir em mim.
— Já mandei a costureira fazer ajustes. Vai servir.
— E se eu disser não?
— Muitos ficaram desempregado
Eu sabia que era verdade, o grande supermercado e loja estava com uma grande dívida o antigo sócio do meu pai fugiu com todo o dinheiro .
Duas horas e quarenta e cinco minutos depois, eu estava dentro do vestido. Serviu? Mais ou menos.
A maquiadora passou pó e blush no meu rosto enquanto eu suava frio. Minha mãe arrumava o véu com mãos trêmulas.
— Não mexa muito. O zíper pode não aguentar.
— Obrigada pelo voto de confiança.
O carro chegou. Um sedan preto brilhante. O motorista não disse uma palavra, só abriu a porta. Minha mãe me empurrou para dentro com a discrição de um general mandando um soldado para a guerra.
A igreja era pequena, mas cheia de flores brancas. As poucas pessoas presentes olhavam para mim como se eu fosse um engano. E eu era. O padre segurava o livro com cara de quem já viu coisa pior.
E então Dante Vitalle apareceu.
Ele era mais alto do que eu imaginava e eu era pequena perto dele. O terno azul marinho vestia bem, mas não escondia os ombros largos de quem malha. O cabelo castanho escuro Zeestava penteado para trás, e os olhos castanhos claro me examinaram de cima a baixo com uma expressão que eu não soube decifrar. Surpresa? Decepção? Curiosidade?
Ele parou ao meu lado. O padre começou a falar, mas minha atenção estava toda no calor do corpo dele ao meu lado. Quando chegou a hora das alianças, Dante pegou minha mão. Os dedos dele eram firmes, quentes. Ele deslizou o anel no meu dedo com um cuidado que me fez esquecer de respirar.
— Pode beijar a noiva.
Dante se inclinou. O beijo foi rápido, seco, mas o suficiente para eu sentir o cheiro dele. Malbec e algo amadeirado. Meu coração disparou.
Na recepção, no salão alugado, as pessoas se aproximavam para cumprimentar. Um tio de Dante — credo, eu já tinha decorado o nome dele? — apertou minha mão e olhou para minha barriga com um sorriso torto.
— Parabéns, prima. Que venham muitos herdeiros.
Eu ri sem graça. Dante apareceu ao meu lado.
— Vem, Débora. Precisamos cortar o bolo.
Ele me guiou pela mão. A palma dele era grande, e a minha cabia dentro como se tivesse sido feita para estar ali. No caminho, um garçom esbarrou em mim. O vinho tinto voou em direção ao meu vestido branco.
— Não! — gritei.
O líquido espirrou na barra da saia. Mancha escura, enorme. O salão inteiro parou. Eu senti o calor subir no rosto.
Dante olhou para a mancha, depois para mim. Por um segundo, achei que ele fosse explodir. Em vez disso, ele riu.
— Agora sim, parece que você realmente é minha noiva. Casamento sem desastre não é casamento.
Ele tirou o paletó e colocou sobre meus ombros.
— Vem. Vou te levar para trocar.
Ele me puxou para os fundos do salão, para uma sala reservada. Assim que a porta fechou, ele soltou minha mão. O sorriso desapareceu.
— Débora, eu preciso te perguntar uma coisa.
Meu estômago gelou.
— O que?
— Você sabe por que Diana fugiu?
A pergunta pairou no ar. Eu abri a boca, mas nenhum som saiu, não ia dizer a ele que ela fugiu por pressão e nem pensou nas pessoas que ficaram sem trabalhar.
— Porque — ele continuou, os olhos fixos nos meus — eu perguntei a ela se queria se casar e agora ela corre.
O silêncio durou três batidas do meu coração.
— E você? — ele perguntou. — Veio aqui por obrigação ou por escolha?
Eu engolii em seco.
— Meu pai apareceu no café da manhã com um vestido e uma hora para decidir. Eu não sabia nem que você existia até hoje de manhã.
Dante sustentou meu olhar. Depois, suspirou.
— Então estamos no mesmo barco, eu não sabia de você.
Ele se aproximou. Um passo, dois. Parou perto demais. Eu sentia o calor irradiando dele.
— Mas já que estamos casados — ele disse, a voz mais baixa —, a gente pode descobrir juntos se isso aqui vai ser só um contrato ou alguma coisa que preste.
O vestido apertou minhas costelas de novo. Ou talvez fosse a falta de ar que não tinha nada a ver com o corpete.