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Chapter 1

Capítulo 1

No primeiro dia na nova escola, Sofia chega atrasada à aula de português e só encontra uma carteira vazia ao lado de Lucas, um garoto popular que inicialmente parece indiferente. Mas, ao ver o desenho de um pássaro no caderno dela, ele se interessa. A professora anuncia um projeto em dupla, e Lucas se oferece para ser parceiro de Sofia. Durante o intervalo, ela encontra um bilhete anônimo no mural dos segredos, com a mesma letra que reconheceu na sala. Quando olha para o corredor, vê Lucas observando-a, e o sorriso discreto sugere que o autor do bilhete é ele.

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— Essa carteira é do Pedro — disse Lucas, sem desviar os olhos do caderno. A mochila do amigo ocupava o assento ao lado

Sofia parou, os livros apertados contra o peito. A sala estava cheia, e aquele era o único lugar vazio. Ela olhou para o rapaz de cabelos castanhos bagunçados e camiseta do time de futebol. Ele não levantava a cabeça.

— Ele vem? — perguntou ela, a voz baixa.

Lucas encolheu os ombros. — Às vezes atrasa. Mas você pode esperar se quiser.

Sofia mordeu o lábio. O relógio na parede marcava oito e quinze. A aula de português já ia começar. Ela resolveu se sentar mesmo assim, mas algo na mochila chamou a atenção de Lucas: um pedaço de papel saindo de um caderno de desenho. Um pássaro, rabiscado a lápis, com as asas abertas.

— Você desenha? — perguntou ele, finalmente olhando para ela.

Sofia corou. Era um esboço rápido, feito durante o intervalo. — É só um passarinho — murmurou.

Lucas pegou o caderno, delicado. — Ele parece querer voar. Os traços são leves, como se estivesse prestes a sair do papel.

Ela não esperava que ele notasse. — Obrigada. É que… meu avô gostava de observar aves. Ele me ensinou a desenhar.

Lucas devolveu o caderno e empurrou a mochila de Pedro para baixo da carteira. — Pode sentar. Ele não vem hoje.

Sofia sentou, ainda surpresa. A professora de português entrou e anunciou que o projeto do bimestre seria um trabalho em dupla: criar uma história inspirada em poesia.

— Podem escolher o parceiro agora — disse ela.

Alguns alunos começaram a se mexer. Sofia olhou em volta, sem conhecer ninguém. Lucas virou-se para ela.

— Vamos ser dupla? — propôs, um sorriso meio sem jeito no rosto.

Sofia concordou, o coração batendo mais rápido. Não era o planejado para o primeiro dia no novo colégio.

A aula passou rápido. Lucas era mais engraçado do que parecia e, no fundo, não era só o jogador de futebol que todos imaginavam. Ele citou um poema de Manuel Bandeira de cor. Sofia riu quando ele errou um verso.

No intervalo, Sofia foi até o mural dos segredos no corredor principal. Era uma tradição da escola: qualquer um podia colocar um bilhete anônimo. Muitos falavam de amores não correspondidos, outros de reclamações sobre a comida ou sobre os professores.

Ela passou os olhos pelos papéis quando um deles chamou sua atenção: "Você desenha bem." Não havia assinatura, mas a letra parecia familiar. Letra miúda, levemente inclinada para a direita.

Sofia se virou. No fim do corredor, Lucas estava encostado na parede, olhando para ela. Ele desviou o olhar rapidamente, mas o sorrisinho que se formou nos lábios dela dizia que o segredo já não era tão secreto.

O sinal tocou. Lucas se afastou, mas Sofia ainda guardava o bilhete na mão, aquecendo-o como se fosse uma promessa.

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