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Chapter 1

Capítulo 1: O Garoto Invisível

Arthur Mendes, um garoto nerd e introvertido, observa secretamente Lucas Oliveira, o garoto popular do colégio. Durante uma aula de redação, Arthur desabafa com sua amiga Sofia sobre seu amor platônico. Mais tarde, no corredor, Arthur esbarra em Lucas e derruba seu caderno, revelando uma fanfic que escreveu sobre ele. Lucas lê o início e fica curioso, criando um gancho para o próximo capítulo.

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O sinal da primeira aula ainda ecoava pelos corredores quando Arthur Mendes ajustou os óculos de aro grosso e respirou fundo. Mais um dia. Mais um dia observando Lucas Oliveira de longe, como se fosse um astro em uma galáxia distante. Ele deslizou os dedos pela capa do caderno, onde havia rabiscado distraidamente o nome do garoto durante a aula de biologia na semana passada. Um erro idiota. Mas ele não conseguia apagar. Era como se aquelas letras fossem uma prova silenciosa de algo que nunca teria coragem de dizer em voz alta.

— Arthur! Você vem ou vai ficar aí parado igual a uma estátua? — Sofia Costa apareceu ao seu lado, os cabelos ruivos vibrantes contrastando com o cinza das paredes da escola. Ela já estava com a mochila pendurada em um ombro, os olhos expressivos cheios de uma energia que ele invejava.

— Tô indo — ele murmurou, guardando o caderno na mochila com um movimento rápido demais. O zíper prendeu o papel, e ele puxou com força, quase rasgando a página. Droga.

Sofia ergueu uma sobrancelha, um sorriso malicioso se formando nos lábios. — Aposto que estava sonhando acordado com o nosso querido craque do time de futebol, não estava?

— Não — Arthur respondeu rápido demais, sentindo o calor subir pelo rosto. Ele desviou o olhar, focando no chão de cerâmica manchado de pegadas.

— Claro que não. E eu sou a rainha da Inglaterra. — Ela riu, baixinho, e passou um braço por cima dos ombros dele. — Relaxa, Arthur. Seu segredo está seguro comigo. Mas se você continuar nessa vibe de monge contemplativo, ele nunca vai nem saber que você existe.

— Talvez seja melhor assim — ele disse, a voz saindo mais baixa do que pretendia.

Sofia parou de andar e o encarou. — Melhor assim? Você passa metade do dia escrevendo histórias sobre ele no seu caderno, e a outra metade suspirando como uma personagem de filme romântico dos anos 80. Isso não é melhor. Isso é covardia.

Arthur engoliu em seco. Ela tinha razão, claro. Ela sempre tinha razão. Mas o que ele podia fazer? Lucas era popular, bonito, atlético, o tipo de garoto que todas as garotas (e alguns garotos) olhavam quando ele passava. E Arthur era apenas o nerd de cabelos bagunçados que se escondia atrás dos livros. Eles eram de mundos diferentes.

— Vamos para a aula — ele disse, mudando de assunto. — Não quero chegar atrasado na redação.

A sala de aula estava quase cheia quando eles entraram. Arthur se sentou no fundo, como de costume, onde podia ver todo mundo sem ser visto. Sofia se jogou na cadeira ao lado, já puxando o celular para checar as redes sociais.

— Olha lá — ela sussurrou, cutucando Arthur com o cotovelo. — Seu príncipe está chegando.

Arthur ergueu os olhos e sentiu o peito apertar. Lucas Oliveira entrou na sala com seu sorriso fácil, os cabelos loiros perfeitamente arrumados, mesmo depois de ter corrido no recreio. Ele estava rindo de algo que Bruno Almeida, seu amigo de sempre, havia dito. O som da risada era leve, despreocupado, como se o mundo inteiro fosse um palco e ele fosse o protagonista.

Arthur desviou o olhar rapidamente, fingindo interesse no caderno. Mas seus dedos tremiam. Ele podia sentir o calor do olhar de Lucas passar por ele sem realmente vê-lo. Era como ser transparente. Como se ele fosse um móvel qualquer na sala.

— Ele nem me nota — Arthur murmurou, mais para si mesmo do que para Sofia.

— Dá um tempo. Ele vai notar. Só precisa de um empurrãozinho. — Ela sorriu, mas havia algo de sério em seus olhos. — Você escreve tão bem, Arthur. Por que não tenta algo? Uma carta, um bilhete... sei lá.

— E parecer um fã obcecado? Não, obrigado.

A aula começou com a professora de redação, dona Clara, uma mulher de cabelos grisalhos e voz calma que sempre elogiava os textos de Arthur. Hoje, ela pedia uma dissertação sobre o tema "A coragem de ser quem você é". Arthur suspirou. Fácil para ela dizer. Ela não tinha que enfrentar Lucas Oliveira todos os dias.

Ele começou a escrever, mas as palavras saíam tortas, sem vida. Ele pensava em Lucas, no jeito que ele jogava futebol, no brilho dos olhos quando ria, no jeito casual com que ele passava a mão nos cabelos. E então escreveu uma frase: "Às vezes, a coragem não está em gritar para o mundo quem você é, mas em sussurrar para uma pessoa que você a vê de verdade."

Ele parou. Leu de novo. E sentiu o coração bater mais forte.

— Arthur, você está bem? — dona Clara perguntou, se aproximando. — Seu texto parece... intenso.

— Estou bem, professora — ele disse, fechando o caderno rapidamente. — Só pensando.

No intervalo, Arthur se refugiou na biblioteca, como sempre. O cheiro de papel velho e silêncio era reconfortante. Ele se sentou em uma mesa isolada, abriu o caderno e começou a escrever a fanfic que nunca mostraria a ninguém. Era sobre um cavaleiro solitário que protegia um príncipe sem que ele soubesse. O cavaleiro era meio desajeitado, usava óculos e sempre se escondia nas sombras. O príncipe era loiro, popular e não sabia que estava sendo observado.

Arthur escrevia com paixão, deixando as palavras fluírem. Ele descreveu o momento em que o cavaleiro salva o príncipe de uma emboscada, mas foge antes de ser reconhecido. "Porque algumas pessoas não merecem ser vistas", ele escreveu. "Elas merecem ser guardadas no coração, como segredos preciosos."

— O que você está escrevendo aí, nerd?

A voz veio de trás dele, e Arthur quase pulou da cadeira. Ele girou, o coração disparado, e deu de cara com Lucas Oliveira, que o olhava com uma expressão de curiosidade e diversão.

— N-nada — Arthur gaguejou, fechando o caderno com tanta força que as páginas amassaram. — É só... um trabalho.

— Um trabalho que te faz corar desse jeito? — Lucas se aproximou, inclinando a cabeça. Seu sorriso era provocador, mas havia algo nos olhos dele que Arthur não conseguia decifrar. — Parece interessante.

— Não é. É chato. — Arthur tentou se levantar, mas seus pés pareciam pregados no chão.

Lucas estendeu a mão, e antes que Arthur pudesse reagir, puxou o caderno. — Deixa eu ver.

— Não! — Arthur gritou, mas era tarde demais. Lucas já estava lendo, os olhos percorrendo as linhas com uma rapidez que gelou o sangue de Arthur.

O silêncio se estendeu por alguns segundos. Arthur podia ouvir o próprio coração batendo nos ouvidos.

— Isso é sobre um príncipe loiro? — Lucas perguntou, a voz mais suave do que Arthur esperava. Ele ergueu os olhos do papel, e havia algo diferente neles. Uma sombra de vulnerabilidade que Arthur nunca tinha visto antes.

— É ficção — Arthur disse, a saindo rouca. — Não é sobre ninguém real.

— Claro que não. — Lucas devolveu o caderno, mas seus dedos roçaram os de Arthur por um instante. O toque foi elétrico, quente, e Arthur sentiu um arrepio percorrer a espinha.

— Você escreve bem — Lucas disse, e havia um tom de admiração genuína em sua voz. — Quem diria que o nerd da sala de redação tinha esse talento.

Arthur abriu a boca para responder, mas nenhum som saiu. Ele apenas olhou para Lucas, que agora o observava com uma intensidade que fazia o mundo ao redor desaparecer.

— Talvez você não seja tão invisível assim — Lucas murmurou, quase para si mesmo. Então ele se virou e saiu da biblioteca, deixando Arthur paralisado, o caderno apertado contra o peito.

Sofia apareceu segundos depois, ofegante. — Arthur! Eu vi Lucas saindo daqui com uma cara estranha. O que aconteceu?

— Ele leu — Arthur sussurrou, os olhos arregalados. — Ele leu a fanfic.

— O quê?! — Sofia arregalou os olhos. — E aí?

— Ele disse que eu escrevo bem. E que talvez eu não seja tão invisível assim.

Sofia ficou em silêncio por um momento. Então um sorriso lento se formou em seus lábios. — Arthur, meu amigo... acho que você acabou de ganhar a atenção dele.

Arthur não respondeu. Ele ainda sentia o calor do toque de Lucas nos dedos, e uma pergunta ecoava em sua mente: "O que ele vai fazer com isso?"

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