AIBookCraft

Chapter 1

Capítulo 1

O ritual de sacrifício para enfraquecer o Hiato dá terrivelmente errado, transformando os cinco líderes da facção em uma massa de carne devoradora. Morgan é o único que consegue fugir, mas, ao olhar para trás, percebe que algo — ou alguém — o seguiu.

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O primeiro golpe foi dado no peito de Helena. Ela não gritou. A faca, ritualística e antiga, entrou com a precisão de quem já ensaiara aquele movimento centenas de vezes. O sangue escorreu pelo chão de pedra, formando um círculo imperfeito ao redor dos cinco corpos. Morgan observava do canto da sala, as mãos suadas, o coração batendo contra as costelas como um pássaro enjaulado.

— Continua — ordenou a voz de Arthur, o líder da cerimônia.

O segundo golpe foi em Miguel. Ele caiu de joelhos, mas manteve os olhos abertos, fixos no teto onde as velas projetavam sombras dançantes. Morgan sentiu o estômago revirar. Não era medo do sacrifício — ele acreditava na causa —, era a expectativa de que o Hiato finalmente cedesse. Doze anos de pesquisas, de noites em claro, de sonhos com um mundo onde o paranormal não fosse apenas uma possibilidade teórica.

O terceiro golpe foi em Lúcia. Ela murmurou algo que Morgan não entendeu, talvez uma oração, talvez uma maldição. O sangue agora formava um lago escuro, refletindo a luz trêmula das chamas. O ar ficou pesado, denso, como se algo estivesse sendo comprimido dentro da sala.

— Está funcionando — sussurrou alguém ao lado de Morgan. Era Matheus, sempre tão calmo, tão controlado. Morgan não respondeu. Observava o círculo, as linhas de sangue que se conectavam, o pulsar estranho que começou a vibrar no centro.

O quarto golpe foi em Rafael. Ele caiu sobre os outros corpos, e foi então que a sala inteira tremeu. Não um tremor físico, mas algo nas profundezas do ser de Morgan, como se o mundo tivesse virado do avesso por um instante. O Hiato estava se abrindo.

— Agora! — gritou Arthur, levantando a faca para o quinto golpe, o seu próprio.

Mas ele não conseguiu desferi-lo. A faca caiu de sua mão quando a carne dos cinco corpos começou a se contorcer. Não era mais carne humana. Era algo que se movia por vontade própria, que se fundia, se esticava, se retorcia em formas impossíveis. Morgan deu um passo para trás, mas seus pés pareciam pregados no chão.

A massa cresceu. Tentáculos grossos como braços surgiram de seu centro, cobertos de garras que brilhavam com uma umidade negra. O primeiro a ser pego foi Arthur. O tentáculo o agarrou pela cintura e o puxou para dentro da massa com um som úmido, um estalo de ossos se quebrando. Ele não chegou a gritar.

— Saiam daqui! — gritou Morgan, mas sua voz saiu fina, irreconhecível.

O caos se instalou. Pessoas corriam em todas as direções, mas os tentáculos eram rápidos, precisos. Um após o outro, os membros da facção eram arrancados do chão e devorados. Morgan viu Matheus ser atingido por um tentáculo no ombro, cair, e então ser arrastado para a escuridão da massa. Ouviu seu grito, cortado abruptamente.

Morgan correu. Não pensou, não raciocinou. Seu corpo agiu por instinto, saltando sobre cadeiras, desviando de corpos que ainda se debatiam. A porta estava à sua frente. Ele a abriu com um empurrão desesperado e se jogou para fora, caindo no barro do lado de fora.

A noite estava fria. A lua, cheia, iluminava o prédio abandonado onde haviam realizado o ritual. Morgan ficou deitado por um momento, ofegante, os ouvidos zumbindo com os gritos que ainda ecoavam dentro de sua cabeça. Lentamente, ele se levantou. Olhou para a porta aberta. Não saía mais nenhum som. O silêncio era absoluto.

Ele começou a andar para longe, trôpego, as pernas fracas. Precisava encontrar um lugar seguro, pensar no que fazer, entender o que tinha acontecido. Mas antes que pudesse dar dez passos, ouviu um ruído atrás de si. Um passo. Leve, mas inconfundível, na grama seca.

Morgan parou. O coração disparou novamente. Ele virou a cabeça lentamente, os olhos fixos na escuridão da porta do prédio. Uma silhueta se destacava contra a luz amarelada do interior. Uma figura humana, imóvel, observando-o.

— Quem está aí? — a voz de Morgan saiu rouca, trêmula.

A figura não respondeu. Apenas deu mais um passo à frente, e a luz revelou seu rosto. Era Matheus.

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