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Chapter 2

Capítulo 2 — A Figura Misteriosa

Rafa enfrenta a figura misteriosa que invade seu quarto à procura do anel. Com a ajuda de seu pai, ele consegue se proteger e descobre mais sobre os poderes do anel. No dia seguinte, sua amiga Gabi aparece e, juntos, começam a investigar o mistério por trás do anel e da figura.

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A figura avançou, e o ar pareceu ficar mais frio. Eu recuei na cama, minhas costas batendo na parede. O brilho vermelho dos olhos do intruso iluminava o quarto em uma luz sinistra. Minha mão ainda procurava o anel no criado-mudo, mas eu não conseguia encontrá-lo. O pânico começou a tomar conta.

— Você não sabe o que está fazendo, garoto — a voz dele era como um sussurro raspado, como se cada palavra fosse arrancada de dentro de um poço seco. — O anel não é um brinquedo. Ele é perigoso. Entregue-o a mim.

Minha mão finalmente tocou o metal frio. Fechei os dedos em torno do anel e o coloquei no dedo. A energia familiar percorreu meu corpo, e senti uma onda de coragem. Levantei a mão, e a figura parou.

— Não chegue mais perto — minha voz saiu trêmula, mas firme.

Ele riu, um som seco e sem humor.

— Você acha que pode me enfrentar? Você não sabe nada. O anel tem um preço, garoto. E você não está preparado para pagá-lo.

Eu não sabia o que fazer. Meu coração batia tão forte que eu mal ouvia minhas próprias palavras. Mas então, ouvi passos no corredor. A porta do meu quarto se abriu mais, e a luz do corredor entrou, revelando meu pai parado ali, com o rosto sério.

— Quem é você? — a voz do meu pai era calma, mas carregava uma autoridade que eu nunca tinha ouvido antes.

A figura se virou lentamente, seus olhos vermelhos encontrando os do meu pai. Houve um momento de tensão, o ar parado. Então, a figura deu um passo para trás.

— Isso não vai terminar aqui, garoto. Eu voltarei.

Ele se virou e correu para a janela, pulando para o quintal. Meu pai correu atrás, mas quando chegou à janela, a figura já havia sumido no escuro da noite.

Meu pai se virou para mim, o rosto pálido.

— Rafa, o que está acontecendo? Quem era aquele homem?

Eu olhei para o anel no meu dedo, a pedra vermelha pulsando suavemente. Sabia que não podia mais esconder. Respirei fundo e comecei a contar.

Contei tudo. Sobre o anel que encontrei no quintal, sobre os poderes que ele me dava, sobre a figura que vi no terreno baldio. Meu pai ouviu em silêncio, sem me interromper, seus olhos fixos em mim. Quando terminei, ele ficou quieto por um longo momento.

— Você está dizendo que esse anel te dá superpoderes? — ele perguntou, sua voz misturando incredulidade e preocupação.

— Sim, pai. Olha.

Levantei a mão e me concentrei no copo de água que estava no criado-mudo. Ele tremeu, depois se ergueu no ar. Meu pai arregalou os olhos. O copo flutuou por alguns segundos antes que eu o colocasse de volta no lugar.

Meu pai sentou na borda da cama, passando a mão no rosto.

— Isso é... incrível, Rafa. Mas também é perigoso. Aquele homem, ele sabe sobre o anel. E ele quer ele.

— O que eu faço, pai?

Ele me olhou, seus olhos cheios de uma determinação que eu nunca tinha visto.

— Você vai aprender a usar esse poder. E vai aprender a se proteger. Eu não sei como, mas vamos descobrir juntos.

Naquela noite, meu pai dormiu no chão do meu quarto, um cobertor fino e um travesseiro improvisado. Eu fiquei acordado por muito tempo, ouvindo a respiração dele e olhando para o anel. A pedra vermelha brilhava na escuridão, e eu sentia que algo grande estava para acontecer.

No dia seguinte, acordei com o cheiro de café e pão quentinho. Desci para a cozinha e encontrei minha mãe preparando o café da manhã. Ela me olhou com um sorriso, mas seus olhos mostravam preocupação.

— Bom dia, filho. Dormiu bem?

— Mais ou menos, mãe.

Ela colocou um prato de pão com manteiga na minha frente e sentou ao meu lado.

— Seu pai me contou sobre o que aconteceu. Sobre o anel.

Eu suspirei, olhando para o prato.

— Você está brava?

— Não, Rafa. Estou preocupada. Mas seu pai tem razão. Você precisa aprender a lidar com isso. E nós vamos te ajudar.

Ela segurou minha mão, e senti um calor bom percorrer meu corpo. Não era o poder do anel, era o amor da minha mãe. E isso era mais forte do que qualquer coisa.

Depois do café, meu pai me chamou para o quintal. Ele tinha preparado alguns objetos velhos para eu treinar.

— Vamos ver o que você consegue fazer — disse ele, colocando uma caixa de papelão no chão. — Tenta levantar essa caixa.

Eu me concentrei, levantando a mão. A caixa tremeu, mas não se moveu. Tentei de novo, com mais força, e ela se ergueu alguns centímetros do chão antes de cair.

— Isso, filho! — meu pai sorriu. — Você consegue. Só precisa de prática.

Passamos a manhã toda treinando. No começo, eu mal conseguia mover as coisas. Mas com o tempo, fui pegando o jeito. Descobri que, quando eu me concentrava e respirava fundo, o poder fluía mais facilmente. E que, quando eu me distraía ou ficava nervoso, as coisas saíam do controle.

— O segredo é a calma — meu pai disse, enquanto eu fazia uma bola de futebol flutuar a alguns metros do chão. — O poder vem de dentro de você. Se você estiver calmo, ele flui. Se você estiver agitado, ele trava.

Eu entendi o que ele queria dizer. Era como quando eu jogava videogame ou desenhava. Quando eu estava relaxado, tudo saía bem. Quando eu ficava tenso, errava tudo.

No meio da tarde, minha mãe veio nos chamar para o almoço. Enquanto comíamos, ela perguntou:

— Rafa, você já pensou em contar para alguém? Para algum amigo?

— Não, mãe. Acho que ninguém acreditaria.

— Talvez você precise de alguém da sua idade para conversar sobre isso. Alguém que entenda.

Eu pensei em Gabi, minha melhor amiga. Ela era esperta e sempre acreditava em mim. Mas será que ela acreditaria que eu tinha superpoderes?

— Talvez a Gabi — eu disse, baixinho. — Mas não sei se ela vai acreditar.

— Só tem um jeito de descobrir, filho — meu pai disse, com um sorriso.

Depois do almoço, liguei para Gabi. Ela atendeu no segundo toque, a voz animada.

— Rafa! Que bom que você ligou. Tava pensando em você. Vamos fazer alguma coisa hoje?

— Gabi, preciso te contar uma coisa. É sério.

— Pode falar.

— É melhor a gente se encontrar. Tem algo que eu preciso te mostrar.

Ela ficou quieta por um momento.

— Tá, encontro você no parque daqui a uma hora.

Desliguei e me arrumei. Coloquei o anel no bolso, com medo de perdê-lo ou de alguém vê-lo. Minha mãe me deu um beijo na testa e disse:

— Vai, filho. Confia em você.

No parque, encontrei Gabi sentada num banco perto do lago. Ela estava comendo um picolé e olhando os patos. Quando me viu, sorriu e acenou.

— Oi, Rafa. Que cara de mistério é essa?

Sentei ao lado dela e respirei fundo.

— Gabi, você acredita em superpoderes?

Ela riu, mas viu que eu estava sério e parou.

— Como assim, superpoderes?

— Tipo... poder de levantar coisas com a mente.

Ela me olhou, os olhos arregalados.

— Você tá falando sério?

— Sim. Olha.

Tirei o anel do bolso e coloquei no dedo. Levantei a mão e me concentrei em uma folha seca que estava no chão. Ela começou a tremer, depois se ergueu e flutuou no ar. Gabi ficou de boca aberta.

— Isso é... incrível!

— É verdade. Eu encontrei esse anel no quintal de casa. E desde então, consigo fazer isso.

Gabi olhou para o anel, seus olhos brilhando de curiosidade.

— E você sabe de onde ele veio?

— Não. Mas ontem à noite, um homem invadiu meu quarto. Ele tinha olhos vermelhos e disse que o anel era dele.

— Nossa, Rafa. Isso é assustador.

— É. Meu pai tá me ajudando a treinar. Mas eu não sei o que fazer.

Gabi segurou minha mão.

— Você não está sozinho nessa. Eu vou te ajudar.

Ela sorriu, e eu senti que, pela primeira vez desde que encontrei o anel, não estava mais com medo.

Passamos a tarde toda conversando. Gabi fez mil perguntas sobre o anel, sobre os poderes, sobre a figura misteriosa. Eu contei tudo, feliz por ter alguém com quem dividir aquele segredo.

— A gente precisa descobrir mais sobre esse anel — ela disse, enquanto caminhávamos de volta para casa. — Quem fez ele? De onde ele veio? E quem é aquele homem?

— Mas como?

— A gente pode pesquisar. Na internet, em livros. E também podemos ficar de olho no terreno baldio. Talvez aquele homem volte.

Eu concordei. Ter Gabi ao meu lado fazia tudo parecer menos assustador.

Quando cheguei em casa, minha mãe estava na cozinha preparando o jantar. Meu pai estava na sala, lendo o jornal.

— E aí, filhote? Como foi com a Gabi? — ele perguntou.

— Foi bom, pai. Ela acreditou em mim.

Ele sorriu.

— Sabia que ela era uma boa amiga.

— Ela quer me ajudar a descobrir mais sobre o anel.

— Isso é bom, Rafa. Mas cuidado. Aquele homem ainda está por aí.

— Eu sei, pai. Vou tomar cuidado.

Naquela noite, jantei com meus pais, e pela primeira vez em dias, me senti em paz. O anel estava no meu bolso, e eu sabia que, com a ajuda da minha família e da Gabi, conseguiria enfrentar o que viesse.

Depois do jantar, subi para o quarto e coloquei o anel no criado-mudo. Ele brilhou suavemente, como se soubesse que eu estava começando a entendê-lo. Deitei na cama e fechei os olhos, pensando no dia seguinte.

Eu não sabia o que me esperava. Mas, pela primeira vez, eu estava pronto para descobrir.

No dia seguinte, acordei cedo. O sol ainda estava baixo, e a casa estava em silêncio. Coloquei o anel no dedo e desci para a cozinha. Enquanto preparava meu café, ouvi um barulho vindo do quintal. Algo caiu, como se tivesse sido derrubado.

Meu coração começou a bater mais rápido. Será que era ele? A figura misteriosa?

Caminhei devagar até a porta dos fundos e a abri. O quintal estava vazio, mas vi algo no chão perto da mangueira. Era um papel, dobrado e sujo. Peguei-o e desdobrei. Tinha uma mensagem escrita à mão, em letras tortas e vermelhas:

"O anel não é seu, garoto. Mas você pode provar que é digno dele. Amanhã, ao pôr do sol, encontre-me no galpão abandonado da rua de cima. Venha sozinho. Ou então, as pessoas que você ama pagarão por isso."

O papel tremeu na minha mão. Olhei em volta, mas não vi ninguém. A figura tinha ido embora, mas deixara um aviso. E eu sabia que não podia ignorá-lo.

Subi correndo para o quarto e liguei para Gabi.

— Gabi, ele deixou um bilhete. Quer que eu encontre ele amanhã no galpão abandonado.

— O quê? Rafa, isso é perigoso demais.

— Eu sei. Mas se eu não for, ele pode machucar minha família.

— A gente precisa contar para seu pai.

— Não, Gabi. Meu pai vai ficar preocupado. E se ele tentar me impedir, a figura pode fazer alguma coisa.

— Então a gente vai juntos. Eu não vou deixar você ir sozinho.

Respirei fundo. Ter Gabi ao meu lado me dava coragem.

— Tá bom. Amanhã a gente se encontra antes do pôr do sol.

Desliguei e olhei para o anel. A pedra vermelha pulsava, como se estivesse viva. Eu não sabia o que me esperava, mas sabia que não podia recuar. O anel era meu, e eu lutaria por ele.

O dia passou devagar. Eu mal conseguia pensar em outra coisa. Treinei com meu pai, mas minha mente estava longe. Ele percebeu, mas não disse nada. Apenas colocou a mão no meu ombro e sorriu.

— Confia em você, filho. Você é mais forte do que imagina.

Naquela noite, não consegui dormir. Fiquei olhando para o teto, pensando no dia seguinte. O que a figura queria? Por que o anel era tão importante? E, acima de tudo, será que eu estava pronto para enfrentar o desconhecido?

Quando o sono finalmente veio, eu sonhei com o anel. Ele brilhava intensamente, e uma voz me chamava, dizendo que eu era o escolhido. Mas, no meio do sonho, a figura apareceu, seus olhos vermelhos queimando como fogo.

Acordei com o coração disparado. A manhã tinha chegado, e o sol entrava pela janela. Era o dia do encontro.

Levantei, me vesti e coloquei o anel no dedo. Desci para a cozinha e tomei o café rápido, enquanto meus pais conversavam sobre coisas banais. Eles não sabiam o que eu ia fazer. E eu esperava que, depois de tudo, eles entendessem.

No meio da tarde, saí de casa com a desculpa de que ia encontrar Gabi. Caminhei até o parque, onde ela já estava me esperando, com um olhar determinado.

— Pronto? — ela perguntou.

— Pronto.

Caminhamos até o galpão abandonado. Ele ficava no fim de uma rua sem saída, cercado por mato alto e árvores velhas. O lugar tinha uma aura sombria, como se guardasse segredos que ninguém queria desenterrar.

— Tem certeza que quer fazer isso? — Gabi perguntou, segurando minha mão.

— Não. Mas preciso.

Empurrei a porta do galpão, que rangeu alto. A luz do sol poente entrava pelas frestas do telhado, criando feixes de poeira dançando no ar. Lá dentro, estava escuro e silencioso. Só se ouvia o vento assobiando pelas frestas.

— Estou aqui! — gritei, minha voz ecoando. — Apareça!

Por um momento, nada aconteceu. Então, ouvi passos. Lentos, pesados, como se cada pisada fosse calculada. A figura emergiu das sombras, seus olhos vermelhos brilhando na penumbra.

— Você veio, garoto. Sabia que teria coragem.

— O que você quer?

— O anel. Ele não pertence a você. Pertence a algo maior.

— Por que eu deveria entregar?

A figura deu um passo à frente, e eu pude ver seu rosto pela primeira vez. Era um homem magro, de pele pálida e cabelos escuros. Seus olhos vermelhos pareciam queimar, e ele usava um casaco preto que chegava até os joelhos.

— Porque você não sabe o que está segurando. Esse anel foi forjado com um poder antigo, um poder que pode destruir ou salvar. Mas você é apenas um menino. Não tem controle, não tem conhecimento. Só tem sorte.

— E você tem? — Gabi gritou, saindo de trás de uma pilha de caixotes. — Quem disse que você merece mais do que ele?

O homem riu, um som seco.

— Ah, trouxe uma amiguinha. Que bonitinho. Mas não importa. Vocês não têm ideia do que estão enfrentando.

Ele estendeu a mão, e uma energia escura começou a se formar em volta dela. Senti o anel vibrar no meu dedo, como se respondesse àquela ameaça.

— Eu não vou entregar o anel — eu disse, minha voz firme. — E não vou deixar você machucar ninguém.

Levantei a mão e me concentrei. Uma onda de energia vermelha saiu do anel, criando uma barreira entre nós e o homem. Ele parou, surpreso.

— Você está aprendendo rápido. Mas não o suficiente.

Ele avançou, e a batalha começou. Eu usava o poder do anel para levantar objetos e atirá-los contra ele. Ele se defendia com sua própria energia, criando escudos e contra-ataques. Gabi gritava instruções, me ajudando a manter o foco.

No meio da luta, senti o cansaço começar a tomar conta. O poder do anel exigia concentração, e eu estava ficando sem forças. O homem percebeu e sorriu.

— Está fraco, garoto. O anel está drenando sua energia. Você não vai durar muito mais.

Ele ergueu a mão, e uma esfera de energia escura voou em minha direção. Eu me desviei, mas ela me acertou de raspão, me jogando contra a parede. Caí no chão, o anel escapando do meu dedo e rolando para longe.

— Rafa! — Gabi correu até mim, mas o homem a afastou com um movimento.

Ele se aproximou do anel e o pegou, um sorriso triunfante no rosto.

— Finalmente. Depois de tanto tempo, ele é meu.

Mas, quando ele colocou o anel no dedo, algo estranho aconteceu. A pedra vermelha brilhou intensamente, e o homem gritou, jogando o anel longe. Ele caiu no chão, fumegando.

— O anel... ele me rejeitou!

Levantei-me, cambaleando, e peguei o anel. Coloquei-o no dedo, e senti uma onda de energia limpa percorrer meu corpo. O homem me olhou com ódio.

— Isso não vai ficar assim, garoto. Eu voltarei. E, na próxima vez, não vou falhar.

Ele desapareceu em uma nuvem de fumaça escura, deixando o galpão em silêncio.

Gabi correu até mim e me abraçou.

— Você conseguiu, Rafa! Você venceu!

— Não foi bem uma vitória. Ele fugiu. E vai voltar.

— Mas agora a gente sabe que o anel só funciona com você. Ele não pode usar.

Olhei para o anel no meu dedo. Ele pulsava suavemente, como se estivesse feliz por estar de volta comigo.

— Vamos para casa — eu disse, cansado. — Meus pais devem estar preocupados.

Caminhamos de volta, o sol já se pondo no horizonte. O céu estava pintado de laranja e roxo, e o vento trazia o cheiro de terra molhada. Eu me sentia exausto, mas também mais forte do que nunca.

Quando cheguei em casa, meu pai estava na porta, com o rosto sério.

— Rafa, onde você esteve? Eu estava preocupado.

— Pai, eu tenho que te contar uma coisa.

Ele me olhou, e seus olhos se suavizaram.

— Entra. Vamos conversar.

Sentei na sala, ao lado dele, e contei tudo. Sobre o bilhete, sobre o encontro no galpão, sobre a luta. Meu pai ouviu em silêncio, e quando terminei, ele suspirou.

— Você foi corajoso, filho. Mas também foi imprudente. Devia ter me contado.

— Eu sei, pai. Desculpa.

— Não precisa se desculpar. Você fez o que achou certo. Mas da próxima vez, confie em mim. Eu estou do seu lado.

Ele me abraçou, e senti o cansaço finalmente me vencer. O dia tinha sido longo, e eu precisava descansar.

Naquela noite, deitei na cama com o anel no dedo. A pedra vermelha brilhava na escuridão, e eu sabia que aquela não era a última vez que veria a figura misteriosa. Mas, pela primeira vez, eu me sentia pronto para enfrentar o que viesse.

O anel era meu. E eu protegeria ele, custasse o que custasse.

O sono veio leve, e, pela primeira vez em dias, eu dormi em paz. Mas, no fundo, eu sabia que aquela era apenas a calmaria antes da tempestade. E que, em algum lugar, a figura misteriosa já estava planejando seu próximo movimento.

Mas isso era problema do Rafa do futuro. O Rafa do presente só queria dormir.

E, com o anel pulsando suavemente no meu dedo, eu finalmente fechei os olhos e deixei o sono me levar.

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