Chapter 1
Capítulo 1
Aren, um aluno sem poder aparente na Academia Celestial, é humilhado no teste de poderes. Seus amigos Kael, Mira e Daren o convidam para uma missão em ruínas, onde o abandonam diante de uma criatura. Ferido, Aren ouve uma voz antiga e desperta um poder dourado que ilumina a montanha, chocando os mestres.
A Academia Celestial erguia-se no topo da montanha mais alta da região, suas torres de pedra branca refletindo a luz do amanhecer como se fossem feitas de luz. O vento soprava fresco entre os pátios, onde alunos treinavam com espadas de madeira, canalizavam energia espiritual em círculos de meditação e trocavam risadas sobre os segredos que o próximo semestre traria. Para eles, aquele era o lugar onde sonhos se tornavam realidade. Para Aren, era o lugar onde os sonhos pareciam sempre fora de alcance.
A manhã do teste de poderes começara como todas as outras. Os alunos se alinharam no grande salão de treinamento, sob o olhar atento do instrutor Valdus. Uma a um, tocavam a pedra espiritual que jazia sobre o altar de mármore. Alguns alunos faziam a pedra brilhar em azul intenso, outros em verde ou dourado, cada cor revelando a afinidade elemental de quem a tocava. A plateia aplaudia, e os mestres anotavam em pergaminhos.
Quando chegou a vez de Aren, ele sentiu o peso dos olhares. Respirou fundo, avançou e colocou a palma da mão sobre a superfície fria da pedra. Nada aconteceu. A pedra permaneceu escura, como uma poça de tinta preta.
— Mais uma vez sem energia — comentou o instrutor, balançando a cabeça. — Você deveria aceitar que não nasceu para cultivar.
Alguns alunos riram baixinho. Aren sentiu o rosto queimar, mas manteve a postura ereta.
— Vou continuar tentando — respondeu, com a voz firme, embora por dentro tudo doesse.
Ao sair do salão, ele encontrou Kael, Mira e Daren esperando por ele no pátio das carvalheiras. Kael cruzava os braços, impaciente. Mira olhava para o chão. Daren parecia desconfortável.
— Não desanima, Aren — disse Daren, forçando um sorriso. — O teste não é tudo.
— É sim — cortou Kael. — Mas a gente pode dar um jeito de mostrar seu valor de outro jeito.
Mira ergueu os olhos.
— Há uma missão nas ruínas ao norte. Dizem que há um artefato poderoso guardado por uma criatura. Se você vier conosco, talvez encontre algo que mude sua situação.
Aren hesitou. Ele sabia que aquela era uma chance de provar que não era um peso morto. Concordou.
No dia seguinte, o grupo partiu antes do amanhecer. A trilha serpenteava entre pedras cobertas de musgo e árvores retorcidas que pareciam observar os viajantes. A névoa densa escondia o fundo dos desfiladeiros. Aren caminhava no meio do grupo, sentindo o cansaço nas pernas, mas mantendo o passo.
As ruínas apareceram depois de duas horas de caminhada. Eram restos de um templo antigo, com colunas quebradas e inscrições gastas pelo tempo. No centro do salão principal, um altar de pedra negra sustentava um artefato que brilhava com uma luz púrpura. E, ao lado do altar, uma criatura bestial dormia.
— É um Guardião de Pedra — sussurrou Kael. — Se a gente for rápido, podemos pegar o artefato antes que ele acorde.
Mas não foram rápidos. O chão rangeu sob os pés de Daren, e a criatura despertou com um rugido que fez as paredes tremerem. Era enorme, feita de rocha viva, com olhos vermelhos que brilhavam como brasas. Lançou-se contra o grupo.
Aren tentou proteger os amigos. Posicionou-se à frente, erguendo uma vara de madeira que carregava como espada. O Guardião varreu o ar com um braço de pedra, derrubando Aren com violência. Ele caiu de costas, sentindo uma dor aguda no ombro.
— Ajudem-me! — gritou ele.
Kael hesitou. Olhou para o artefato no altar, depois para Aren caído. Mira mordeu o lábio. Daren pareceu prestes a avançar, mas Kael o segurou.
— Desculpe, Aren — disse Mira, sem olhá-lo nos olhos. — Não podemos arriscar tudo por alguém tão fraco.
Kael correu até o altar, arrancou o artefato e os três fugiram pela entrada das ruínas, deixando Aren sozinho.
A criatura rugiu novamente e avançou. Aren tentou se levantar, mas a perna não respondia. O Guardião ergueu o braço para esmagá-lo.
Aren fechou os olhos. Pensou nos anos de treino frustrado, nas risadas dos colegas, na vergonha dos testes. Pensou em Kael, Mira e Daren correndo sem olhar para trás. Uma lágrima escapou pelo canto do olho.
Naquele instante, uma voz antiga ecoou dentro de sua mente, profunda como o som da terra se movendo:
— Chegou a hora de despertar, herdeiro dos deuses.
Uma luz dourada explodiu de dentro de Aren, varrendo o salão como uma onda. Marcas brilhantes, como runas vivas, apareceram em seus braços, percorrendo a pele até os ombros. Seus olhos se abriram, e agora reluziam como estrelas. A criatura recuou, assustada, soltando um grunhido de medo.
Aren ergueu a mão. A energia fluiu através dele naturalmente, como se sempre tivesse estado ali, adormecida. Uma onda de luz dourada atravessou as ruínas, empurrando o Guardião para trás, iluminando a montanha inteira. O chão tremeu. O céu, antes nublado, clareou por um momento.
No alto da Academia Celestial, o diretor estava em seu escritório quando sentiu a vibração. A taça de chá em sua mão estremeceu. Ele se levantou e caminhou até a janela, os olhos arregalados.
— Essa energia… — murmurou ele. — Não pode ser.
Aren, ainda de joelhos no chão das ruínas, olhou para as próprias mãos. As runas ainda brilhavam, pulsando suavemente. Ele tremia.
— Eu… sempre tive poderes? — sussurrou, sem acreditar.
A criatura havia fugido para as sombras. O silêncio voltou a pairar sobre as ruínas. Aren se levantou lentamente, apoiando-se na parede quebrada. A dor no ombro ainda estava lá, mas algo mais forte pulsava dentro dele. Algo que ele não entendia, mas que agora era parte dele.
Ele olhou para a entrada por onde os amigos haviam fugido. Uma mistura de raiva e tristeza apertou seu peito. Mas também havia algo novo: determinação.
— Vou descobrir o que sou — disse ele, em voz alta. — E vou mostrar a todos que nunca fui fraco.
Lá fora, o vento soprava forte, e as nuvens começavam a se fechar novamente. Aren ajustou o casaco rasgado e começou a caminhar de volta para a academia, as marcas em seus braços ainda brilhando fracamente sob a luz do entardecer.
Muito acima, na torre mais alta, o diretor observava o horizonte com uma expressão grave.
— O herdeiro despertou — murmurou ele, para ninguém. — Os tempos antigos estão de volta.
E, em algum lugar nas profundezas da montanha, uma escuridão antiga também começou a se mover, como se o despertar de Aren tivesse acordado algo que deveria ter permanecido esquecido.