Chapter 3
O Anel de Rubi – Capítulo 3
Léo e sua mãe decidem investigar o anel e procurar a avó de Léo para obter respostas, mas uma nova ameaça surge quando o homem de olhos vermelhos aparece na escola de Léo, e Clara decide que eles precisam de ajuda.
Dona Clara segurou o anel na palma da mão, observando a pedra rubi que agora parecia apenas uma joia comum, sem qualquer brilho estranho. A voz que ouvira momentos antes ainda ecoava em sua mente, mas ela respirou fundo e tomou uma decisão.
— Vou guardar isso comigo por enquanto — disse ela, colocando o anel no bolso do avental. — E amanhã cedo vamos visitar sua avó. Ela é a única pessoa que pode nos dar respostas.
Léo assentiu, ainda abalado. — Mas e o homem de capuz? Ele disse que ia voltar.
— Por isso mesmo precisamos saber mais antes que ele volte — respondeu Clara, sentando-se ao lado do filho na cama. — Sua avó sempre contou histórias estranhas sobre o anel. Coisas que eu nunca levei a sério. Agora, preciso ouvir tudo.
A noite passou devagar. Léo mal conseguiu dormir, ouvindo cada rangido da casa, cada vento que batia nas janelas. Mas o homem de capuz não voltou. Quando o sol finalmente apareceu, pintando o quarto de tons dourados, ele sentiu um alívio imenso.
No café da manhã, Clara já estava pronta, com uma bolsa a tiracolo e o anel guardado num saquinho de pano dentro do bolso.
— Come logo, filho — disse ela, colocando um prato de pão com manteiga na frente dele. — Vamos pegar o ônibus das oito.
Léo comeu depressa, e logo estavam os dois na parada, esperando o ônibus que os levaria até a casa da avó, do outro lado da cidade.
O ônibus estava quase vazio. Sentaram-se perto da janela, e Léo observou as ruas passarem. A cidade parecia comum, com suas lojas e árvores, mas ele sabia que algo diferente estava acontecendo.
— Mãe, você acha que o anel é mesmo mágico? — perguntou ele, baixinho.
Clara hesitou. — Não sei o que pensar. Mas vi aquela luz, ouvi aquela voz. Não foi imaginação.
— E o que a vovó vai dizer?
— Ela vai nos contar a verdade. Finalmente.
A casa da avó era uma casa antiga, com paredes de tijolos à vista e um jardim cheio de flores. Dona Elisa, uma senhora de cabelos brancos e olhos azuis, estava regando as plantas quando eles chegaram.
— Que surpresa! — exclamou ela, deixando o regador de lado. — Clara, Léo, que bom ver vocês!
Abraçou os dois com carinho, mas logo percebeu a expressão séria da filha.
— Aconteceu alguma coisa? — perguntou, convidando-os para entrar.
Na sala, sentados no sofá florido, Clara tirou o saquinho de pano do bolso e o entregou à mãe.
— Mãe, encontramos isso. Léo achou na rua, perto da escola.
Dona Elisa abriu o saquinho e, ao ver o anel, suas mãos começaram a tremer. A pedra rubi brilhou por um instante, como se a reconhecesse.
— Meu anel — sussurrou ela, os olhos marejados. — Depois de vinte anos...
— A senhora disse que foi roubado — lembrou Léo.
— Roubado, sim. Por um homem que apareceu no parque. Ele usava um casaco escuro, e seus olhos... — Ela fechou os olhos. — Seus olhos brilhavam vermelhos.
Léo e Clara trocaram olhares.
— Ele apareceu ontem em nossa casa — disse Clara. — Queria o anel de volta.
Dona Elisa suspirou profundamente. — Eu devia ter contado a verdade antes. O anel não é uma joia comum. Ele pertenceu à minha avó, que dizia que ele foi forjado com um pedaço de uma estrela cadente. Quem o usa pode ver coisas que outros não veem. Pode sentir o que está escondido.
— Mas por que esse homem quer tanto ele? — perguntou Léo.
— Porque o anel também pode ser usado para o mal. Quem o controla pode abrir portas entre mundos. E há pessoas que querem isso.
Enquanto falavam, uma sombra passou pela janela. Léo olhou, mas não viu nada.
— Vovó, o que a gente faz? — perguntou ele.
Dona Elisa pegou a mão do neto. — Primeiro, vamos entender o que o anel quer de você. Ele escolheu você, Léo. Isso não foi acaso.
Ela colocou o anel na mão de Léo. A pedra rubi pulsou suavemente, e ele sentiu o calor familiar subir pelo braço.
— Feche os olhos — disse a avó. — E me diga o que vê.
Léo obedeceu. No começo, só via escuridão. Depois, imagens começaram a surgir: uma floresta antiga, com árvores tão altas que tocavam o céu. No centro, uma clareira iluminada por uma luz azulada. E na clareira, uma figura encapuzada, mas não o homem de olhos vermelhos. Era alguém mais velho, com cabelos prateados e um manto verde.
— Você veio — disse a figura, numa voz que soava como vento entre folhas. — O anel te trouxe.
— Quem é você? — perguntou Léo, na visão.
— Sou o Guardião. E o anel precisa de um novo portador. Mas o Caçador também veio. Vocês estão em perigo.
A visão se desfez, e Léo abriu os olhos, ofegante.
— Vi um homem de manto verde — disse ele. — Ele disse que era o Guardião. E que o Caçador está nos perseguindo.
Dona Elisa empalideceu. — O Caçador... É o homem de olhos vermelhos. Ele nunca desistiu.
Naquele momento, o telefone tocou. Clara atendeu, e seu rosto ficou pálido.
— O quê? — disse ela. — Quando?
Desligou e olhou para os outros.
— Era a escola do Léo. Disseram que um homem estranho apareceu perguntando por ele. Descreveram um homem de capuz escuro.
O ar na sala ficou pesado. Léo segurou o anel com força, sentindo a pedra quente contra a pele.
— Ele sabe onde estudei — disse Léo, a voz trêmula. — Ele vai nos encontrar.
Dona Elisa levantou-se, determinada. — Então não vamos esperar. Temos que ir para um lugar seguro. Conheço alguém que pode nos ajudar.
— Quem? — perguntou Clara.
— Um velho amigo. Ele estuda essas coisas. Se alguém sabe como lidar com o Caçador, é ele.
Léo olhou para o anel, que brilhava suavemente em sua mão. O calor agora era familiar, quase amigo.
— Vovó, o Guardião disse que o anel me escolheu. O que isso significa?
Sua avó sorriu, mas seus olhos estavam sérios.
— Significa que você tem uma responsabilidade agora, meu neto. E que não podemos voltar atrás.
Lá fora, o vento começou a soprar mais forte, balançando as árvores do jardim. E, por entre as folhas, dois olhos vermelhos observavam a casa antiga, esperando o momento certo.