Chapter 1
Capítulo 1: O Encontro no Caminho
Um menino chamado Léo encontra um anel de rubi no caminho de volta da escola, desencadeando uma série de eventos misteriosos.
— Não acredito que você deixou cair meu sorvete! — gritou Léo, apontando para a calçada onde a casquinha de baunilha formava uma poça cremosa.
Seu amigo Miguel riu, segurando a barriga. — Foi você quem esbarrou em mim! Eu só estava mostrando o desenho que fiz na aula de artes.
Léo suspirou, mas um sorriso já começava a se formar em seus lábios. O sol da tarde aquecia seus ombros, e o cheiro de grama cortada vinha do jardim da casa ao lado. Eles estavam a duas quadras da escola, no caminho de sempre para casa.
— Tudo bem — disse ele, passando a mão nos cabelos castanhos. — Vou pedir outro quando chegar em casa. Minha mãe sempre tem suco gelado.
Miguel guardou o desenho — um dragão verde com asas azuis — na mochila. — Amanhã eu te pago um. Prometo.
Eles se despediram na esquina, e Léo continuou sozinho pela rua arborizada. As folhas das árvores balançavam com a brisa suave, e os passarinhos cantavam nos fios elétricos. Ele chutou uma pedrinha, vendo-a pular calçada abaixo.
Foi quando algo brilhou entre as folhas caídas perto do meio-fio.
Léo parou. O brilho era vermelho, como uma pequena chama presa no chão. Ele se abaixou, curioso, e afastou as folhas secas.
Lá estava ele: um anel de rubi.
A pedra era do tamanho de uma uva, cortada em formato oval, e brilhava mesmo sob a luz indireta do entardecer. O metal parecia prata escura, com desenhos finos gravados na superfície — linhas onduladas que lembravam ondas do mar ou fumaça.
Léo olhou ao redor. A rua estava vazia. Nenhum carro, nenhuma pessoa. O anel parecia ter caído ali há pouco tempo, pois não estava sujo ou arranhado.
Ele pegou o anel com cuidado. Era mais pesado do que parecia, e quente — não do sol, mas de um calor estranho, como se tivesse sido segurado por alguém.
— Que bonito — murmurou, virando-o nas mãos.
As gravações no metal pareciam se mover quando ele mudava o ângulo, como se a luz dançasse dentro delas. Léo sentiu um arrepio subir pela espinha, mas não era de medo. Era como quando ele ouvia uma música que gostava muito.
Ele enfiou o anel no bolso da calça e continuou andando, mas agora seus olhos estavam atentos a qualquer movimento. Quem teria perdido uma joia tão bonita? Talvez uma senhora elegante, ou um viajante misterioso.
A casa de Léo era amarela, com uma cerca branca e um pé de limão no quintal. Ele abriu o portão e subiu os três degraus da varanda. A porta estava destrancada, como sempre.
— Cheguei! — gritou, entrando.
O cheiro de pão de queijo quente vinha da cozinha. Sua mãe, dona Clara, apareceu na porta com um avental florido.
— Meu amor! Bom dia na escola? Tem pão de queijo fresco.
Léo sorriu. — Foi legal. O Miguel fez um dragão muito bonito no desenho.
Ele foi para seu quarto, deixando a mochila na cama. Sentou-se no tapete macio e tirou o anel do bolso. A luz do fim de tarde entrava pela janela, iluminando o rubi com um brilho intenso.
— De onde você veio? — perguntou em voz baixa.
O anel não respondeu, mas por um instante pareceu pulsar, como um coração.
Léo franziu a testa. Talvez fosse apenas o reflexo da luz. Ele colocou o anel no dedo indicador. Serviu perfeitamente.
Não houve fogos de artifício nem ventanias. Apenas uma sensação de calor que subiu do anel para seu braço, parando no peito. E então, aos poucos, o calor se espalhou por todo o corpo, como se ele estivesse perto de uma lareira.
— Uau — sussurrou.
Ele ouviu passos no corredor. Sua mãe chamava para o lanche. Léo guardou o anel no bolso e foi para a cozinha.
Enquanto comia pão de queijo e bebia suco de limão, ele não conseguia parar de pensar no anel. Quem o perdeu? Por que estava no chão? E por que ele sentia que aquela descoberta era apenas o começo de algo maior?
Do lado de fora, na rua, uma figura encapuzada observava a casa amarela. Seus olhos brilhavam com uma luz vermelha, e ele segurava um pedaço de papel com a foto de Léo. O vento soprava folhas secas ao seu redor.
— O anel despertou — murmurou ele, com uma voz grave. — O portador foi encontrado.
Ele se virou e desapareceu na direção do bosque, enquanto a noite começava a cair sobre a cidade.