AIBookCraft

Chapter 3

Capítulo 3: Amor Verdadeiro Espera

Lucas e Marina se encontram na reunião de jovens, onde uma conversa mais profunda sobre espera e confiança em Deus os aproxima. O capítulo termina com um convite inesperado que testa a determinação de Lucas em esperar.

5 min read

A tarde de domingo se arrastou como as horas antes de uma viagem esperada. Lucas tentou ler, mas as palavras dançavam na página. Tentou ver TV, mas os programas passavam sem fazer sentido. Seu pensamento voltava sempre àquela mensagem no celular: "Lucas, você vai na reunião de jovens hoje à noite?"

Ele respondeu que sim antes mesmo de terminar de ler. Agora, olhando para o relógio pela terceira vez em cinco minutos, percebeu que ainda faltavam três horas.

— Ansiedade de novo? — a voz do avô veio da porta do quarto.

Lucas virou-se, surpreso. O avô estava apoiado na bengala, um sorriso nos lábios.

— Não é ansiedade, vô. É... expectativa.

— Mesma coisa com outro nome. — O avô entrou devagar e sentou-se na cadeira perto da janela. — Me conta. Quem é ela?

Lucas sentou na cama, os cotovelos apoiados nos joelhos.

— Marina. A nova voluntária do ministério de crianças. A gente se conheceu no ensaio de sexta.

— E você já está planejando o casamento?

— Não! — Lucas riu, negando com a cabeça. — Só... trocamos umas mensagens. Ela perguntou se eu ia hoje.

O avô inclinou a cabeça, os olhos azuis ainda vivos apesar dos anos.

— E o que você sentiu quando viu ela?

Lucas pensou antes de responder.

— Paz. Não era aquela ansiedade que eu sentia antes, de precisar que algo acontecesse. Era uma calma. Como se eu pudesse ficar ali, só conversando, sem pressa.

O avô assentiu devagar.

— Então você já entendeu a primeira lição. Amor verdadeiro não acelera o coração, ele acalma. A ansiedade vem da dúvida. A paz vem da certeza de que Deus está no controle.

— Mas e se eu estiver errado? E se for só carência?

— Se for carência, o tempo vai mostrar. Você vai começar a exigir, a cobrar, a querer respostas imediatas. Mas se for amor, você vai saber esperar. — O avô se levantou com esforço. — Vai se arrumar. Mas antes, abre a Bíblia. Lê Salmos 40 de novo.

Lucas obedeceu. A Bíblia ainda estava aberta na mesa, com o versículo marcado. Leu em voz baixa: "Esperei com paciência no Senhor, e ele se inclinou para mim e ouviu o meu clamor."

Quando fechou o livro, sentiu a paz voltar. Não precisava saber o que ia acontecer. Só precisava confiar.

***

A igreja estava mais cheia que no ensaio. Jovens se espalhavam pelo salão principal, alguns com violões, outros com Bíblias abertas. O som de conversas e risadas preenchia o ar.

Lucas cumprimentou Pedro e alguns amigos, mas seus olhos procuravam uma figura em especial. Ele a viu perto do palco, ajudando a arrumar cadeiras para as crianças. Marina vestia uma blusa florida e calça jeans, o cabelo solto nos ombros.

Ela o viu e sorriu, um sorriso aberto, sem timidez.

— Chegou — ela disse, aproximando-se.

— Cheguei. Promessa é dívida.

— Ajuda aqui? As crianças vão apresentar uma música hoje, e tô tentando organizar o espaço.

Lucas passou a hora seguinte ajudando a arrumar cadeiras pequenas, testar o som e distribuir lanches. Entre uma tarefa e outra, ele e Marina conversavam sobre coisas simples: a música que ela tinha aprendido, o livro que ele estava lendo, a forma como a brisa da noite entrava pelas janelas abertas.

Nada era forçado. As palavras fluíam como água entre pedras, encontrando caminho sem esforço.

Quando a reunião começou, eles sentaram lado a lado. O louvor subiu, vozes se misturando em harmonia. Lucas fechou os olhos por um momento, sentindo a presença de Deus de uma forma que não sentia há tempo. Ao lado, Marina cantava baixinho, a voz dele se encaixando na dela sem planejamento.

No meio da pregação, o pastor falou sobre espera. Sobre como Deus usa o deserto para preparar o coração. Lucas sentiu Marina mexer ao lado, e quando olhou, ela estava anotando algo num caderninho.

— "Esperar não é parar. É se preparar" — ela escreveu, e mostrou a ele.

Lucas sorriu e murmurou:

— Meu avô diria a mesma coisa.

Ela guardou o caderno e, por um instante, os olhos deles se encontraram. Não havia pressa ali. Só o reconhecimento de duas almas que entendiam a mesma língua.

***

Depois da reunião, as pessoas se dispersaram em grupos. Lucas ajudou a guardar os instrumentos enquanto Marina se despedia das crianças. Quando ela se aproximou, trazia o violão na capa e um olhar pensativo.

— Lucas, posso te pedir uma coisa?

— Claro.

— Meu violão precisa de um ajuste no braço. Ouvi dizer que você entende de madeira, de consertos... Você poderia dar uma olhada?

Lucas hesitou por um segundo. Não era um pedido qualquer. Era um convite para entrar no espaço dela, para compartilhar algo que ela valorizava.

— Posso sim. Posso passar amanhã depois do trabalho, se você quiser.

— Amanhã é ótimo. — Ela anotou o endereço num papel e entregou a ele. — É perto de onde você me deixou. O prédio amarelo, segundo andar.

Lucas guardou o papel no bolso, sentindo o peso dele como se fosse uma chave.

— Então amanhã, depois das seis.

— Combinado.

Ela se virou para sair, mas parou.

— Lucas?

— Hã?

— Obrigada. Por esperar. Por não ter pressa.

Ele não soube o que responder. Só acenou com a cabeça, vendo-a desaparecer na noite.

No caminho para casa, o celular vibrou. Era uma mensagem de Marina:

— "Esperei com paciência no Senhor..." Boa noite, Lucas.

Ele sorriu, guardou o telefone e olhou para o céu. As estrelas pareciam mais brilhantes naquela noite.

— Senhor, eu não sei o que vem depois de amanhã. Mas sei que hoje foi um bom dia. E que amanhã, seja o que for, vou confiar.

Ele ligou o carro e partiu, com a certeza de que a espera não era um vazio. Era um jardim sendo regado, devagar, por mãos pacientes.

✦ ✦ ✦
Jogar a partir daqui

Privacy choices

Optional analytics help us improve AIBookCraft. They stay off until you allow them. We still count anonymous page views, without cookies or an ID. Writing, sign-in, and checkout work either way.

Change this choice any time. Read our Privacy Policy.