Chapter 1
Capítulo 1: O Tempo de Esperar
Lucas, um jovem engenheiro, luta contra a ansiedade de ver seus amigos casando enquanto ele permanece solteiro. Após uma conversa com seu avô, ele entende que a espera é um tempo de preparação, não de perda. O capítulo termina com ele tomando a decisão de confiar em Deus e se dedicar a se tornar a pessoa certa, quando uma mensagem inesperada chega.
— Sete anos, vô? Sete anos parece uma vida inteira — Lucas segurou a xícara de café sem beber, os olhos fixos na fotografia amarelada sobre a mesa. O avô, sentado na poltrona de sempre, sorriu com a paciência de quem já viu o tempo passar mais vezes do que podia contar.
— Para Jacó, foram sete anos de trabalho por Raquel. E a Bíblia diz que pareceram poucos dias, pelo muito que a amava. — O velho apontou o dedo enrugado para o neto. — Quando você ama de verdade, sete anos são como sete dias. Quando é carência, sete dias já são uma eternidade.
Lucas suspirou. Aos vinte e oito anos, ele era engenheiro civil numa construtora em Belo Horizonte, e a cada fim de semana via mais um amigo publicar fotos de aliança no Instagram. O apertar no peito vinha sempre, como um relógio que não parava de marcar a solidão.
— Eu sei, vô. Mas às vezes parece que Deus esqueceu de mim.
O avô riu baixinho, um som rouco que vinha do fundo do peito.
— Esquecer? Filho, esperar não é perder tempo. É ganhar propósito. Enquanto você espera, Deus te prepara. Ele não está te atrasando, Ele está te alinhando. Muita gente apressada casou com a pessoa errada só porque não aguentou esperar a pessoa certa.
Lucas apoiou o queixo na mão, o olhar perdido na janela que dava para o quintal. O pé de acerola balançava com o vento, as folhas dançando como se rissem de sua impaciência.
— Mas como saber se é amor ou carência? — perguntou, a voz mais baixa.
— A carência não espera. Ela aceita qualquer coisa para não ficar sozinha. O amor verdadeiro espera o tempo certo. — O avô inclinou-se para a frente, a voz ganhando peso. — Seu coração é um templo, Lucas, não é uma praça pública onde todo mundo entra. Amor verdadeiro se guarda para quem vai valorizar.
Lucas engoliu em seco. As palavras acertavam em cheio. Lembrou-se de Isabela, a colega de trabalho que ele quase chamou para sair na semana passada, só porque ela era bonita e parecia disponível. Não conhecia seus valores, sua fé, seu coração. Mas o medo de ficar sozinho falou mais alto.
— Eu estava prestes a cometer um erro — murmurou, mais para si mesmo.
O avô assentiu, como se soubesse exatamente o que o neto pensava.
— A ansiedade mata o amor. Você fica ansioso, começa a comparar, aceita qualquer coisa só para não ficar sozinho. E aí entra em relacionamentos que te afastam de Deus. O antídoto da ansiedade é a confiança: se Deus tem o melhor para mim, eu não preciso correr atrás do pior.
O silêncio caiu entre eles, pesado mas bom, como um cobertor quente num dia frio. Lucas olhou para a Bíblia aberta sobre a mesa do avô, os versículos sublinhados a lápis. Salmos 40:1 estava marcado: — Esperei com paciência no Senhor...
— O que eu faço enquanto espero, vô?
— Você usa esse tempo para se tornar a pessoa que a pessoa que você tanto espera merece encontrar. — O avô sorriu, os olhos brilhando. — Deus não esqueceu de você, Lucas. Ele está escrevendo sua história de amor no tempo certo.
Lucas respirou fundo, sentindo um peso sair dos ombros. Não era resignação; era paz. Uma paz que não vinha de entender o futuro, mas de confiar em quem o segurava.
— Tudo bem — disse, a voz firme. — Vou esperar. Não vou mais correr atrás do que me afasta dEle. Vou guardar o coração, a mente, o corpo. Vou confiar.
O avô estendeu a mão e apertou o ombro do neto com força.
— É isso, menino. Amor verdadeiro espera.
Lucas sorriu pela primeira vez naquela tarde, um sorriso verdadeiro, que aquecia o peito. Ele se levantou, guardou a xícara na pia, e foi até o quarto. Abriu a Bíblia na cama, os olhos procurando o Salmo 40. Leu em voz alta: — Esperei com paciência no Senhor, e ele se inclinou para mim e ouviu o meu clamor.
O telefone vibrou sobre a mesa de cabeceira. Uma mensagem no grupo de jovens da igreja.
— Pessoal, temos uma nova voluntária no ministério de crianças. Ela chegou hoje. Vamos recebê-la no próximo ensaio?
Lucas olhou para a tela, o coração batendo mais rápido. Algo naquela mensagem parecia diferente. Ele não sabia o que era, mas sentiu um friozinho na barriga, como se o tempo tivesse dado um pequeno giro.
— Senhor, estou esperando — murmurou. — Mas se for da Tua vontade, abre a porta.
A mensagem do grupo ainda estava na tela, esperando resposta. Ele digitou devagar:
— Estarei lá. Que dia?
Enviou. O telefone apitou quase na hora.
— Sábado, às 19h. Seu nome é Marina.
Lucas prendeu a respiração. Sábado. Faltavam três dias. Ele não sabia o que viria, mas pela primeira vez em muito tempo, não estava com pressa de descobrir.