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Chapter 1

Capítulo 1

Isabela acorda no dia do seu casamento arranjado com Leonardo, um mafioso frio e perigoso. Ela sente medo e ressentimento, mas não tem escolha. Durante a cerimônia, Leonardo a observa com um olhar que ela não consegue decifrar. Após a festa, eles ficam a sós pela primeira vez, e ele a surpreende com uma promessa inesperada.

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— Prometa que não vai fugir, Isabela.

A voz dele era baixa, grave, como se cada palavra pesasse uma tonelada. Ela não respondeu. Seus dedos tremiam contra o cetim branco do vestido, e o espelho à sua frente mostrava uma mulher que ela mal reconhecia. Os cabelos castanhos estavam presos num coque elegante, os olhos escuros pareciam vidro — bonitos, mas vazios.

Sofia Almeida, a única pessoa na casa que a olhava com gentileza, ajustou o véu com mãos firmes.

— Você é forte, querida. A força que você busca já reside em você.

Isabela engoliu em seco. Força. Ela não sentia nada além de um cansaço que vinha dos ossos.

— Ele é um monstro, Sofia. Todos dizem.

— Dizem muitas coisas. Nem todas são verdade.

O toque na porta foi seco. Clara entrou sem esperar resposta, os cabelos grisalhos presos num coque apertado que puxava suas feições para trás, como se o rosto inteiro estivesse sempre franzido.

— Está na hora. Não faça besteira, Isabela. Esse casamento é a única chance que você tem de não virar um peso morto para esta família.

Isabela mordeu o lábio. Não respondeu. Aprendera, nos vinte e seis anos de vida, que responder a Clara só trazia mais dor.

A igreja estava cheia de rostos que ela não conhecia. Homens de terno escuro e olhar duro, mulheres que cochichavam atrás de leques. O ar cheirava a incenso e suor frio. E no altar, esperando por ela, estava Leonardo.

Ele era alto. Mais alto do que ela lembrava. O terno preto vestia seu corpo como uma armadura, e os olhos escuros — tão escuros que pareciam buracos negros — a fixaram desde o momento em que ela pisou no corredor. Não sorriu. Não acenou. Apenas observou, como um predador avaliando sua presa.

Isabela caminhou. Cada passo ecoava no silêncio pesado da nave. Ela sentia o olhar de Clara nas costas, a pressão da família, o peso do contrato que seus pais tinham assinado antes de morrerem. Não havia amor ali. Havia dívida. Haveria dever.

Quando chegou ao altar, Leonardo estendeu a mão. Ela hesitou. Por um segundo, o mundo pareceu parar. Ele inclinou a cabeça, os lábios se moveram numa palavra que ela não ouviu, mas que pareceu dizer: confia.

Ela colocou a mão na dele. A pele era quente, áspera, firme.

O padre falou. Ela respondeu no automático. Sim. Sim, eu aceito. Sim, até que a morte nos separe. As palavras saíram como se pertencessem a outra pessoa.

Leonardo deslizou o anel em seu dedo. Era frio, pesado, um aro de prata que brilhava na luz das velas. Depois, ele segurou seu rosto com as duas mãos — um gesto tão inesperado que ela prendeu a respiração — e inclinou a testa até tocar a dela.

— Você é minha agora — murmurou ele, tão baixo que só ela ouviu. — E eu protejo o que é meu.

Não era uma declaração de amor. Era um aviso.

A festa foi um borrão. Risos falsos, brindes, danças que ela não lembrava. Em algum momento, Miguel apareceu, o sorriso torto que ela conhecia tão bem, os olhos que prometiam dor.

— Casada com o monstro — ele sussurrou perto do ouvido dela, enquanto dançavam. — Você nunca vai escapar de mim, Isabela. Nem ele vai te salvar.

Ela sentiu o sangue ferver, mas antes que pudesse responder, uma mão pesada tocou o ombro de Miguel. Leonardo estava ali, o olhar tão frio que até as velas pareciam tremer.

— A dança acabou — disse ele, a voz calma, mas com um fio de aço. — Minha esposa está cansada.

Miguel soltou Isabela com um sorriso que prometia volto. Leonardo a conduziu para fora do salão sem dizer uma palavra.

O quarto era grande, escuro, com cortinas de veludo que abafavam o som da festa lá embaixo. Isabela ficou parada no centro, os braços cruzados, o coração batendo tão forte que doía.

Leonardo fechou a porta. Ficou ali, encostado na madeira, apenas a observando. O silêncio se esticou como um elástico prestes a romper.

— Você tem medo de mim — ele disse. Não era uma pergunta.

Isabela ergueu o queixo.

— Deveria?

Ele se aproximou. Passos lentos, calculados. Parou a um palmo dela, tão perto que ela sentia o calor do corpo dele, o cheiro de alfazema e fumaça.

— Não. Nunca de mim.

Ele ergueu a mão, e ela se encolheu, instintivamente. Leonardo parou. O rosto dele, pela primeira vez, mostrou algo que parecia dor.

— Não vou te machucar, Isabela. Nunca.

Ela riu, um som amargo.

— Por que eu acreditaria nisso?

Ele baixou a mão. Os olhos escuros procuraram os dela, e por um momento, o predador pareceu se desfazer, deixando ver um homem cansado, um homem que carregava um segredo pesado demais.

— Porque eu esperei a vida inteira por você — ele disse. A voz falhou na última palavra, como se a verdade fosse um osso que ele engolia com esforço. — E eu não destruo o que amo.

O silêncio caiu entre eles. Isabela sentiu o chão sumir sob os pés. Aquilo não fazia sentido. Ele era frio, distante, um mafioso que só via poder e controle. Não podia ser verdade.

— Você não me ama — ela sussurrou, mais para si mesma do que para ele.

Leonardo não respondeu. Apenas virou as costas e caminhou até a janela. A lua desenhava sua silhueta contra o vidro.

— Durma na cama — ele disse, sem se virar. — Eu fico aqui.

Isabela ficou imóvel, o vestido branco pesando como chumbo. O coração batia descompassado. Ela não sabia o que acreditar. Mas, pela primeira vez em muito tempo, sentiu uma centelha de algo que não era medo.

Era curiosidade.

E naquela noite, enquanto ela se deitava na cama de lençóis frios e ele ficava de vigília na janela, Isabela jurou, em silêncio, que descobriria a verdade. Mesmo que isso lhe custasse tudo.

Lá fora, a noite escondia o que o dia traria. E o primeiro raio de sol, quando veio, trouxe com ele um carro preto parado na frente da mansão, um homem de terno e uma carta com o selo da família Bellini.

— Chefe — disse Marco Rossi, entrando sem bater. — Temos um problema.

Leonardo pegou a carta. Leu em silêncio. Quando ergueu os olhos, encontraram os de Isabela, que tinha se sentado na cama, o coração na garganta.

— Eles querem você — ele disse, a voz dura. — A família Bellini. Exigem um encontro.

Isabela engoliu o medo.

— Então vamos.

Leonardo franziu o cenho, mas antes que pudesse protestar, ela completou:

— Você disse que me protege. Então me leve. Não vou ficar aqui esperando.

O olhar dele mudou. Algo se acendeu ali, um brilho que ela não conseguia nomear. Ele guardou a carta no bolso e, pela primeira vez, quase sorriu.

— Como quiser, esposa.

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