AIBookCraft

Chapter 1

Capítulo 1 - O Convite

Clara recebe um convite para o lendário Baile das Sombras, uma festa que ocorre a cada cem anos. Para entrar, precisa de uma máscara tecida com luar. Com a ajuda de seu tio-avô, descobre que pode obter a máscara no Lago da Colina do Vento. Lá, encontra Lucas, que também recebeu o convite. Juntos, mergulham suas máscaras de madeira na água ao mesmo tempo, conseguindo o brilho lunar. Uma figura misteriosa surge e aponta uma trilha iluminada que os levará ao baile. Eles seguem a trilha juntos.

6 min read

— Você não pode ir.

Clara segurou o envelope contra o peito, o papel fino e acetinado tão antigo que parecia desfazer-se entre os dedos. A tinta prateada do convite brilhava à luz do candeeiro: Você está convidada para o Baile das Sombras. Abaixo, a data: amanhã, quando a lua nascer.

— Mamãe, isso não é um convite comum — disse Clara, ainda sem acreditar. — Olhe o selo. É o do Conselho das Horas.

Dona Margarida cruzou os braços, o avental de cozinha manchado de farinha. — Sei muito bem o que é o Baile das Sombras. Sua avó falava dele como se fosse uma lenda. Uma festa que acontece uma vez a cada cem anos, num lugar que só aparece quando a lua está cheia. E onde todo mundo usa uma máscara tecida com luar. Mas você não tem essa máscara.

— Posso conseguir uma.

— Como? O luar não se pega com as mãos, Clara. E mesmo que conseguisse, a festa é perigosa. Dizem que quem entra no Baile das Sombras nunca mais é o mesmo. Que você pode encontrar lá o que procura, mas também o que deveria ter esquecido.

Clara não respondeu. Olhou para o convite mais uma vez. A caligrafia era elegante, com letras que pareciam dançar. No canto inferior, uma anotação em vermelho: Traga sua máscara ou não poderá entrar. A entrada é proibida sem ela.

Ela guardou o envelope no bolso do casaco e saiu para a varanda. A lua ainda não tinha nascido, mas o céu já escurecia. Lá embaixo, a Rua das Flores estava vazia. Todos os vizinhos já tinham fechado as janelas. Era como se a cidade inteira soubesse que algo estranho estava para acontecer.

Clara sabia que precisava de ajuda. A única pessoa que talvez entendesse aquilo era seu tio-avô, seu Antenor, o velho que morava no sótão da biblioteca municipal. Diziam que ele conhecia as histórias antigas melhor do que ninguém.

Ela correu até a biblioteca. As portas de madeira rangiam quando ela empurrou. O cheiro de livros empoeirados a envolveu.

— Seu Antenor? — chamou.

Uma voz rouca respondeu de trás de uma estante:

— Já sei por que veio. O convite.

O velho apareceu, apoiado numa bengala, os olhos miúdos brilhando. — Sua avó também recebeu um, há muito tempo. Ela não foi. Arrependeu-se a vida inteira.

— Eu quero ir. Mas preciso de uma máscara de luar.

Seu Antenor riu baixinho. — Lua não se colhe, menina. Mas pode ser refletida. Sabe o que é um espelho de água?

— Não.

— Um lago que fica no topo da Colina do Vento. Quando a lua nasce, ele brilha como prata líquida. Se você mergulhar uma máscara de madeira nessa água exatamente no momento em que o luar tocar a superfície, ela fica coberta com o brilho da lua. É a única maneira de ter uma máscara verdadeira. Mas tem um problema.

— Qual?

— O lago é guardado por alguém. Uma pessoa que também quer ir ao baile. Dizem que os dois primeiros a chegar ao lago podem fazer o pedido juntos, mas apenas um pode usar a máscara naquela noite. O outro terá que esperar cem anos.

Clara sentiu o estômago apertar. — Então tenho que chegar antes.

— Ou encontrar alguém que queira ir com você e dividir a máscara. Mas isso nunca foi feito. Sempre houve disputa.

— Obrigada, seu Antenor. Vou tentar.

O velho segurou o braço dela. — Cuidado, menina. O Baile das Sombras não é só diversão. Ele realiza desejos, sim, mas cobra um preço. Cada sorriso ali pode custar uma lembrança.

Clara saiu da biblioteca com o coração batendo forte. A noite estava silenciosa. Ela começou a subir a ladeira que levava à Colina do Vento. O caminho era íngreme, cheio de pedras soltas. A lua já despontava no horizonte, enorme e dourada.

Quando chegou ao topo, o lago brilhava à sua frente, calmo como um espelho. E, na margem oposta, estava um rapaz.

Ele também segurava um convite e uma máscara de madeira. Vestia uma camisa branca e calças escuras. Olhou para Clara com um misto de surpresa e determinação.

— Você veio — disse ele, a voz firme apesar da distância.

— Você também.

— Meu nome é Lucas. Recebi o convite ontem. Meu avô me contou sobre o lago.

— E o que pretende fazer? — perguntou Clara, aproximando-se lentamente. — Disputar?

Lucas balançou a cabeça. — Não. Ouvi dizer que dá para dividir. Se duas pessoas mergulharem a máscara ao mesmo tempo, o luar cobre as duas. Cada uma fica com metade do brilho, e ambas podem entrar.

— Mas isso nunca foi tentado.

— Alguém tem que tentar. Quer tentar comigo?

Clara olhou para a lua, que agora tocava a superfície da água. A luz começava a se espalhar como tinta prateada. Ela respirou fundo. A escolha era simples: confiar num estranho ou perder a chance de ir ao baile.

— Sim. Vamos.

Os dois se ajoelharam na margem, cada um com sua máscara de madeira. Lucas contou até três. No mesmo instante, eles mergulharam as máscaras na água. O luar pareceu agarrar-se à superfície, envolvendo as duas peças num brilho líquido e frio.

Quando tiraram as máscaras, estavam cobertas por uma fina camada que reluzia como prata viva. Clara segurou a sua, sentindo o peso e a leveza ao mesmo tempo.

— Funcionou — murmurou Lucas, os olhos fixos nela. — Você vai ao baile?

— Vou. E você?

— Sim. Mas... não sei onde ele acontece. O convite só diz "sob a lua".

Nesse momento, o lago começou a tremer. A água se agitou em ondas concêntricas, e do centro emergiu uma figura envolta em névoa. Era alta, vestida de preto, o rosto oculto por um capuz.

— Os convidados estão prontos — disse a figura, com uma voz que ecoava como sino. — Sigam o rastro da lua.

E, com um gesto, apontou para uma trilha que se formava entre as árvores, pavimentada por pequenas luzes prateadas.

Clara e Lucas trocaram um olhar. Sem dizer nada, começaram a andar juntos pela trilha, cada um segurando sua máscara. A névoa se fechou atrás deles.

O Baile das Sombras os esperava.

✦ ✦ ✦
Jogar a partir daqui

Privacy choices

Optional analytics help us improve AIBookCraft. They stay off until you allow them. We still count anonymous page views, without cookies or an ID. Writing, sign-in, and checkout work either way.

Change this choice any time. Read our Privacy Policy.