AIBookCraft

Chapter 1

Capítulo 1

Yumi, princesa do Império da Luz, está em seu jardim quando é sequestrada por soldados das sombras e levada ao imperador Ren. Ele declara que ela será sua esposa, ela recusa, mas é forçada a se preparar para o casamento. A noite, Ren a confronta e ela o fere com um punhal, mas ele a domina e a beija, deixando-a confusa.

7 min read

— Solte-me, criatura das trevas! — gritei, lutando contra os braços que me envolviam. A lâmina fria de uma adaga encostou em meu pescoço, um aviso silencioso. O cheiro de enxofre e musgo preenchia minhas narinas, um aroma estranho para os corredores de mármore do meu palácio. Meu palácio, invadido. Meu reino, violado. Minha vida, virada de cabeça para baixo em um único piscar de olhos.

— Silêncio, princesa. — A voz do soldado era um rosnado gutural, sua armadura negra como a noite sem lua. Eu estava envolta em um pano grosso que cheirava a terra úmida e fumaça. Conseguia ver apenas sombras se movendo rapidamente, o som de passos apressados ecoando nos corredores que eu conhecia desde criança. O jardim de rosas brancas, meu refúgio, agora era uma lembrança distante.

Me levaram por uma passagem secreta que eu nem sabia que existia, sob as fundações do palácio, para um mundo de escuridão e frio. Quando a luz finalmente voltou, era diferente. Não era a luz dourada e quente do meu Império, mas uma luz pálida e azulada, vinda de cristais que pulsavam como corações feridos. O ar era pesado, denso.

Estava em um salão enorme, as paredes de obsidiana polida refletindo minha imagem distorcida. Tronos de ébano e prata ladeavam um tapete vermelho sangue que levava a um assento maciço, esculpido com figuras de dragões e bestas sombrias. E lá estava ele. O Imperador da Sombra.

Era alto, seus cabelos negros como azeviche caindo soltos sobre os ombros, os olhos cor de âmbar que brilhavam na penumbra. Ele usava uma túnica negra bordada com fios de prata que pareciam capturar a luz. Seu rosto era de uma beleza severa, lábios finos e uma mandíbula forte. Ele não sorriu. Apenas me observou, com uma intensidade que me fez estremecer, mesmo contra minha vontade.

— Princesa Yumi do Império da Luz. — Sua voz era grave, como um trovão distante. — Seja bem-vinda ao meu humilde lar. — Ele abriu os braços, um gesto irônico que abrangia todo o salão sombrio.

— Isso é um sequestro, seu monstro! — Eu cuspi as palavras, tentando me soltar das mãos dos soldados que me seguravam. — Meu pai enviará o exército inteiro para me resgatar! Vocês todos pagarão por isso!

Ele riu, um som frio que ecoou nas paredes.

— Seu exército, querida princesa, está neste momento sendo dizimado nas fronteiras. Não vim para negociar. Vim para tomar o que é meu por direito. — Ele se levantou do trono e desceu os degraus com uma lentidão calculada, cada passo ecoando como um sino fúnebre. — Você será minha esposa, Yumi. E unirá os dois impérios sob minha coroa.

— Nunca! — Gritei, minha voz falhando. — Prefiro morrer!

Ele parou a alguns passos de mim, seus olhos varrendo meu corpo, minha face. Por um momento, vi algo nos olhos dele. Não era apenas desejo de poder. Era uma fome, uma solidão profunda que me fez sentir um arrepio na espinha.

— Morrer? — Ele sussurrou, a voz de repente mais suave. — Que pena. Seria um desperdício de uma bela alma. Mas a morte não é uma opção, princesa. Você viverá. E aprenderá a me amar.

Os soldados me soltaram e recuaram. Ren se aproximou, sua presença avassaladora. Ele tocou meu queixo com a ponta dos dedos, forçando-me a erguer o olhar para ele. — A partir de agora, você é minha noiva. Amanhã, ao pôr do sol, seremos casados. — Ele sorriu, um sorriso que não alcançava seus olhos. — A cerimônia será breve. Não se preocupe com vestido. Já mandei preparar um.

Ele se virou e caminhou de volta ao trono, acenando com a mão. — Kenji, leve-a para seus aposentos. E garanta que ela esteja confortável... e segura. — A última palavra foi dita com um tom de alerta.

Um general alto, de cabelos castanhos curtos e olhos cinzentos, se aproximou. Ele me olhou sem emoção, mas algo em seus olhos denunciava uma relutância, um desconforto.

— Princesa, por favor. — Sua voz era firme, mas educada.

Ele me conduziu por corredores ainda mais escuros, até um quarto que, para meu espanto, era bem mobiliado. Havia uma cama grande com lençóis de seda negra, uma penteadeira com espelho de prata, e até algumas flores em um vaso de cristal. Flores do Império da Luz — rosas brancas. Um escárnio.

— Fique aqui. Alguém virá ajudá-la a se preparar. — Kenji fez uma reverência e se retirou, fechando a porta.

Fiquei sozinha. O pânico começou a tomar conta. Eu era uma princesa, criada para ser gentil e justa. Mas também era uma filha do Império da Luz. E não iria me render tão facilmente. No canto do quarto, vi um pequeno punhal sobre uma mesa, talvez esquecido por um dos criados. Peguei-o, escondendo-o nas dobras do meu vestido rasgado.

Horas se passaram. O sol se pôs, e o quarto ficou ainda mais escuro, iluminado apenas pela luz azulada dos cristais. Uma criada entrou, uma mulher de rosto pálido e olhos vazios. Ela me ofereceu um vestido negro, simples, mas elegante. Recusei. Ela insistiu. Recusei novamente. Finalmente, ela desistiu e saiu, deixando-me em paz.

A noite caiu. A fome começou a apertar meu estômago, mas a raiva era maior. Ouvi passos no corredor. A porta se abriu. Era Ren.

Ele entrou sem pedir permissão, seu olhar varrendo o quarto até pousar em mim, sentada na cama, o punhal escondido na mão.

— Você ainda não comeu. — Ele disse, a voz um pouco mais macia do que antes. — Não posso ter uma noiva desfalecendo de fome.

— Não tenho fome. — Minha voz saiu fria.

Ele se aproximou lentamente, seus olhos cintilando. — Você é teimosa. Gosto disso. Vai tornar as coisas mais interessantes.

Ele estava perto demais. Senti o cheiro dele — madeira queimada e algo adocicado, como âmbar. Ele ergueu a mão para tocar meu rosto. Foi o suficiente. Minha mão se moveu com a velocidade do desespero, e o punhal brilhou na penumbra.

A lâmina encontrou seu ombro antes que ele pudesse desviar. Um corte superficial, mas o sangue escorreu, manchando sua túnica negra. Ele grunhiu, recuando, a surpresa estampada em seu rosto.

— Você... — Ele tocou o ferimento, olhando o sangue em seus dedos. Seu olhar se ergueu para mim, e por um momento vi algo diferente. Não raiva. Admiração. — Você tem espírito.

Ele riu, uma risada baixa e rouca. Então, antes que eu pudesse reagir, ele avançou. Sua mão envolveu meu pulso, torcendo o punhal de minha mão. Ele caiu no chão com um som metálico. Ele me puxou para perto, seu corpo contra o meu, sua respiração quente em meu rosto.

— Isso é apenas o começo, minha princesa. — Ele sussurrou. — Você lutará, e eu conquistarei. E quando eu te tiver, você será minha. Por inteiro.

Ele inclinou a cabeça e seus lábios tocaram os meus. Foi um beijo roubado, possessivo, que me deixou sem fôlego e com o coração disparado. Não era amor. Era uma promessa de guerra. Mas quando ele se afastou, uma parte de mim — uma parte que eu odiava admitir — sentiu falta do calor de seus lábios.

Ele se virou e saiu, deixando-me ali, trêmula, o punhal no chão como um troféu de uma batalha que eu mal havia começado.

✦ ✦ ✦
Jogar a partir daqui

Privacy choices

Optional analytics help us improve AIBookCraft. They stay off until you allow them. We still count anonymous page views, without cookies or an ID. Writing, sign-in, and checkout work either way.

Change this choice any time. Read our Privacy Policy.