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Chapter 1

Capítulo 1: O Encontro Inesperado

Sofia encontra uma fotografia antiga que a faz relembrar o passado e decide visitar a livraria onde trabalhou, onde reencontra Miguel, seu antigo amor.

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— Não acredito que você ainda guarda isso — murmurou Clara, segurando a fotografia amarelada que Sofia havia encontrado no fundo de uma caixa de sapatos.

Sofia sentiu o coração apertar ao ver a imagem: dois jovens sorridentes abraçados em frente à antiga livraria Sebo das Letras, o sol da tarde iluminando seus rostos sem preocupações. Ela tinha vinte e dois anos na época, e Miguel, vinte e quatro, com aquele sorriso confiante que sempre a fazia sentir que tudo era possível.

— Eu tinha esquecido que isso estava aqui — mentiu Sofia, desviando o olhar.

— Mentira — Clara riu, devolvendo a foto. — Você sabe que nunca esqueceu nada relacionado a ele.

Sofia guardou a fotografia no bolso do avental, sentindo o papel fino contra seus dedos. Era uma tarde de sábado, e a livraria Pequeno Mundo estava silenciosa, apenas o som das páginas virando e o cheiro de café fresco no ar. Ela amava aquele lugar: as estantes de madeira escura, os livros empilhados em mesas, a luz suave que entrava pela janela da frente.

— Você vai ao lançamento do livro do Júlio tonight? — perguntou Clara, já pegando sua bolsa.

— Não sei se vou. Estou um pouco cansada.

Clara ergueu uma sobrancelha, mas não insistiu. Desde que voltara para a cidade natal, há três meses, Sofia evitava lugares com muitas pessoas. Preferia o silêncio da livraria, o aconchego dos livros, a segurança de não precisar fingir que estava bem.

Depois que Clara saiu, Sofia ficou sozinha. Ajeitou alguns livros na estante de romance, arrumou as canecas na bancada do café. Mas seus olhos voltavam sempre para o bolso onde guardara a fotografia.

Finalmente, não resistiu. Sentou-se à mesa dos fundos, a que ficava perto da janela, e olhou a imagem novamente. O Miguel da foto parecia tão diferente do homem que ela imaginava que ele se tornara. Mas será que ele realmente mudara? Ela não sabia. Fazia oito anos desde a última vez que se viram, e ele partira sem explicação, deixando apenas uma carta curta e vaga.

Sofia suspirou. Às vezes, o caminho de volta é o único que nos leva para frente, pensou, lembrando das palavras que sua avó costumava dizer.

O som da porta da livraria abrindo a fez levantar a cabeça. Um homem alto entrou, o rosto parcialmente escondido pela sombra do chapéu. Ele parou por um momento, olhando ao redor, como se procurasse algo. Depois, caminhou diretamente em direção à seção de arquitetura, sem perceber Sofia.

Ela reconheceu aquela postura imediatamente. O jeito de andar, a maneira como inclinava a cabeça ao ler as lombadas dos livros. Seu coração disparou.

— Miguel? — a palavra escapou antes que pudesse contê-la.

Ele se virou lentamente, e quando seus olhos encontraram os dela, Sofia sentiu o chão desaparecer. Ele estava mais velho, claro, as linhas ao redor dos olhos mais marcadas, mas ainda era o mesmo Miguel. O sorriso que surgiu em seus lábios era hesitante, quase vulnerável.

— Sofia — disse ele, a voz rouca. — Eu... esperava encontrar você aqui.

Ela ficou paralisada. A fotografia ainda estava em sua mão, e ela a escondeu instintivamente atrás das costas.

— O que você está fazendo aqui? — perguntou, tentando manter a voz firme.

Miguel deu um passo à frente, mas parou quando viu a expressão dela.

— Precisava falar com você. Explicar algumas coisas.

— Oito anos, Miguel. Oito anos sem uma palavra, e agora você aparece aqui? — Sofia sentiu as lágrimas ameaçarem, mas as conteve. — Não é justo.

— Eu sei — ele disse, baixando a cabeça. — Sei que não tenho o direito de pedir nada. Mas... tem algo que preciso te mostrar.

Ele tirou do bolso um envelope amassado e o estendeu para ela. Sofia olhou para o envelope, depois para ele. Sua mão tremia ligeiramente quando o pegou.

— O que é isso?

— A verdade — respondeu Miguel, seus olhos fixos nos dela. — Leia quando estiver pronta.

Antes que ela pudesse responder, ele se virou e saiu da livraria, deixando-a sozinha com o envelope nas mãos e o coração aos pulos.

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