Chapter 2
Episode 2
Lucas não quer mais magoar Marina. Ele está decidido a respeitar lá. Está fazendo tudo certo. Seu caráter mudou. Não quer mais perdê-la novamente. Marina ainda fica pensativa, mas crer na mudança. Foi o que ela pediu a Deus. Os momentos que passam juntos são incríveis. A vontade de ficarem juntos aumentou. Lucas trocou o número de telefone, excluiu as redes sociais, pegou a averbação de divórcio tudo para reconquistar a amada. Ele trabalha na linha de produção .Quer mudar de horário para amanhã para conciliar o horário de trabalho de Marina.
O sol da manhã entrava pela cortina fina do quarto, desenhando riscos dourados no chão de madeira. Lucas acordou antes do despertador, como fazia desde que Marina voltara para sua vida. Na noite anterior, ela dormira em seu peito, e ele passara horas apenas observando a respiração dela, o movimento suave dos cílios, a paz estampada no rosto que ele quase perdeu para sempre.
Levantou-se sem fazer barulho, preparou café, torradas com manteiga e o suco de laranja que ela amava. Quando Marina apareceu na porta da cozinha, ainda com os olhos sonolentos e o cabelo bagunçado, ele sentiu o coração apertar. Ela sorriu — aquele sorriso que o derrubara no primeiro encontro — e ele soube que não poderia falhar outra vez.
— Bom dia, meu amor — disse ela, sentando-se à mesa.
Lucas colocou o prato na frente dela e sentou-se ao lado, pegando sua mão.
— Preciso te contar uma coisa.
Marina ergueu uma sobrancelha, o café parado no meio do caminho.
— Mudei meu número de telefone — ele disse, os olhos fixos nos dela. — Deletei todas as redes sociais. Não quero nenhuma tentação, nenhuma distração, nada que possa te magoar de novo.
Ela ficou em silêncio por um instante, os dedos apertando a caneca. Ele continuou, abrindo a gaveta ao lado e tirando uma pasta amarela.
— E também peguei a averbação do divórcio. Está aqui. Quero que você veja que não há mais ninguém, nunca houve depois de você, e nunca haverá. Só você, Marina. Só você.
Ela abriu a pasta, os olhos percorrendo o documento oficial, a data, o carimbo. Quando levantou o rosto, as lágrimas brilhavam, mas ela as conteve.
— Eu pedi a Deus que te mudasse, Lucas,orei todas as noites, durante três anos, pedindo que Ele tocasse seu coração. — Ela segurou a mão dele. — E Ele ouviu. Eu creio. Só preciso de tempo para confiar de novo.
— Eu te dou todo o tempo do mundo — ele respondeu, a voz rouca. — E vou provar todos os dias.
Lucas trabalha na linha de produção e pensa em trocar de turno,para conciliar com o horário de trabalho da Marina: ela trabalha como recepcionista em uma clínica, das sete da manhã às quatro da tarde.Ele estava no turno da tarde, das onze e quarenta e cinco às nove e pouco da noite. Mal se viam durante a semana.
— Preciso mudar para o turno da manhã — disse ao supervisor, um homem grisalho de olhos cansado.
— Você sabe que não é fácil. Tem vaga, mas é menos dinheiro.
— Não importa. Preciso estar com ela.
O supervisor suspirou e concordou. A mudança começaria na semana seguinte.
Quando Lucas contou a Marina, ela estava deitada no sofá, lendo um livro. Ele se ajoelhou na frente dela, os olhos brilhando.
— Vou trabalhar de manhã também. Assim podemos jantar juntos, dormir juntos, acordar juntos. Quero construir uma vida com você, Marina. Não só um relacionamento.
Ela fechou o livro, mordeu o lábio inferior e, pela primeira vez em semanas, deixou as lágrimas caírem sem vergonha.
— Você está mesmo mudado, não está?
— Estou. E vou continuar mudando, todos os dias, por você.
Ela se inclinou e o beijou. Um beijo longo, macio, que prometia um recomeço. O celular de Lucas vibrou na mesa, mas ele nem olhou. Não precisava mais. Tudo o que ele queria estava ali, nos braços dela.
Naquela noite, enquanto dormiam entrelaçados, Marina sussurrou uma oração antes de fechar os olhos: Obrigada, Deus. Ele voltou. E eu também.