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Chapter 1

Capítulo 1: O Último Verão

Léo e Sofia, amigos inseparáveis desde os 14 anos, passam seu último verão juntos antes da mudança de Sofia para outra cidade. Eles exploram o bosque encantado, descobrem uma pedra brilhante e fazem uma promessa de amizade eterna.

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O sol da tarde pintava o bosque de dourado enquanto Léo e Sofia corriam entre as árvores, suas risadas ecoando como sinos. Fazia sete anos que eles se conheciam — desde aquele dia no pátio da escola, quando Léo, todo atrapalhado, derrubou a lancheira de Sofia e ela, em vez de ficar brava, simplesmente se ajoelhou para ajudá-lo a catar os biscoitos esfarelados.

Agora, com 21 anos, eles ainda eram os mesmos. Pelo menos era o que Léo queria acreditar.

— Vamos, preguiçoso! — gritou Sofia, já alguns passos à frente. Seus cabelos castanhos voavam ao vento. — O sol vai se pôr daqui a pouco e eu quero ver a clareira antes que escureça!

Léo apressou o passo, sentindo o coração apertado. Era o último verão. Em duas semanas, Sofia se mudaria para a cidade grande, a centenas de quilômetros dali, para fazer um curso de ilustração que sempre sonhara. Ele ficaria na pequena vila de Pedra Azul, trabalhando na oficina do pai.

— Você acha que vai ter um dragão escondido atrás das pedras hoje? — perguntou ele, tentando manter o tom brincalhão.

Sofia parou e virou-se, os olhos brilhando com aquela centelha de fantasia que nunca a abandonava.

— Quem sabe? Diz a lenda que, na noite em que as estrelas cadentes riscam o céu, os dragões acordam para dançar. E hoje é a noite das estrelas cadentes.

Léo sorriu, mas o sorriso não chegou aos olhos. Ele sabia que Sofia usava as histórias para disfarçar a tristeza da partida. Sempre fizera isso, desde pequena.

Eles chegaram à clareira quando o céu começava a se tingir de laranja e rosa. No centro, uma pedra enorme coberta de musgo parecia um trono de gigante adormecido. Era o lugar deles, o esconderijo secreto onde haviam passado tardes inteiras lendo gibis e inventando aventuras.

Sofia subiu na pedra primeiro, estendendo a mão para ajudá-lo. Léo aceitou, sentindo o calor dos dedos dela contra os seus.

— Promete que vai escrever? — perguntou ele, a voz saindo mais baixa do que gostaria.

— Todas as semanas! — respondeu ela, sentando-se ao lado dele. — E você vai me contar sobre o Bosque dos Sussurros e o Lago dos Segredos. Quero saber se o velho carvalho realmente fala com as corujas.

— Ele fala, sim. Eu ouvi uma vez.

Sofia riu, um som cristalino que Léo guardaria na memória como um tesouro.

— Você é bobo, Léo.

— E você é teimosa.

Ela apoiou a cabeça no ombro dele, e por um momento o mundo pareceu parar. Léo sentiu o perfume dela — mistura de mato, sol e alguma flor silvestre que ele nunca conseguira identificar.

— Olha! — exclamou Sofia, apontando para o céu.

Uma estrela cadente riscou o firmamento, seguida por outra, e mais outra. Era como se o universo estivesse celebrando aquele momento, espalhando poeira de diamante pelo céu.

— É agora! — Sofia pulou de pé, os braços abertos. — Os dragões vão acordar! Vamos ver um!

Léo levantou-se também, contagiado pela empolgação dela. Sempre fora assim: Sofia via magia em tudo, e ele, mesmo sendo mais pé no chão, acabava acreditando.

Foi então que algo brilhou no chão, entre as raízes de uma árvore velha. Sofia se abaixou e pegou uma pedrinha azul, do tamanho de uma uva, que pulsava com uma luz suave.

— O que é isso? — perguntou Léo, curvando-se para olhar.

— Não sei... parece viva.

A pedra estava morna na palma da mão de Sofia, e quando ela a fechou, sentiu uma vibração gostosa, como se algo estivesse sorrindo dentro dela.

— Leva com você — disse Léo, com um nó na garganta. — Para se lembrar de mim.

Sofia ergueu os olhos, e pela primeira vez naquela tarde, Léo viu lágrimas neles.

— Não preciso de pedra para me lembrar de você, bobo. Você está aqui — ela tocou o peito, sobre o coração. — Para sempre.

O vento soprou, balançando as folhas das árvores. Léo sentiu que o tempo escorria como areia entre os dedos.

— Vamos fazer uma promessa — disse ele, a voz firme de repente. — Quando você estiver longe, eu vou continuar inventando histórias. E quando eu estiver triste, você vai me mandar desenhos. E um dia...

— Um dia — completou Sofia — a gente se encontra de novo, aqui, na nossa clareira.

Eles apertaram as mãos, e a pedra azul brilhou mais forte, como se tivesse ouvido o pacto.

O sol já tinha se posto quando voltaram para a vila. As luzes das casas acendiam uma a uma, e o cheiro de jantar vinha das cozinhas. Léo acompanhou Sofia até o portão de casa.

— Até amanhã? — perguntou ela.

— Até amanhã.

Mas os dois sabiam que os amanhãs estavam se esgotando.

Naquela noite, deitado em sua cama, Léo olhou para o teto e sentiu o coração pesado. Ele pegou um caderno velho e começou a escrever, não uma carta, mas uma história. Uma história sobre dois amigos que enfrentavam dragões e distâncias, e que sempre davam um jeito de se reencontrar.

Lá no outro lado da vila, Sofia segurava a pedra azul contra o peito e sorria. Ela não sabia explicar, mas sentia que aquela pedra era especial. Talvez fosse um presente dos dragões, um sinal de que a amizade deles era tão forte quanto as lendas que contavam.

Quando fechou os olhos, Sofia viu um mapa brilhante, cheio de caminhos que se cruzavam. E no centro, bem no meio, uma clareira iluminada pela luz de duas estrelas que nunca se apagavam.

Do outro lado da vila, Léo sonhou com o mesmo mapa.

E a pedra azul, escondida no bolso do casaco de Sofia, pulsou uma vez, duas, três — como um coração que batia no ritmo da promessa que eles haviam feito.

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