Chapter 3
Episode 3
Sukvailo bobule nuo heroino tikrai jsunytes jauyus paryziui be saiko vodkes ir apie likimus vampyriu naujos jaunystes su vsldzia nris vidus dubsikind juk yrs dufo sukdo ar ta veranika duju fu
A manhã seguinte trouxe um cheiro diferente à aldeia. Não o fedor familiar da meia encantada, mas um aroma denso e doce, como frutas podres misturadas com mel queimado. Karuna acordou com os olhos grudados e uma sensação estranha de que algo havia mudado enquanto dormia.
— Acorda, menina! — gritou a voz de Dona Marta, a padeira, batendo na porta de madeira. — A velha Sukvailo apareceu na praça e está distribuindo vodke para todo mundo!
Karuna esfregou os olhos e saiu para a rua. O sol estava alto, mas a aldeia parecia envolta numa névoa dourada e pegajosa. No centro da praça, uma figura encarquilhada dançava sozinha, segurando uma garrafa verde. Era Sukvailo, a avó que ninguém via há décadas, que todos julgavam morta ou transformada em árvore.
— Venham, venham! — cantava a velha, com uma voz que rangia como portas enferrujadas. — Bebam da minha vodke de juventude! Quem bebe, volta a ser criança, volta a ser flor, volta a ser o que quiser!
Os aldeões, ainda atordoados pelos dias anteriores, aproximaram-se com desconfiança. Mas havia algo hipnótico nos olhos de Sukvailo — dois poços escuros onde a luz se afogava. O primeiro a beber foi o ferreiro, um homem grande e sério que, após um gole, começou a encolher como um balão furado. Em segundos, era um menino de sete anos, nu e confuso, com as calças caídas nos pés.
— Minhas calças! — gritou o menino-ferreiro, correndo em círculos. — Alguém me devolva minhas calças!
A multidão riu, mas Karuna sentiu um frio na espinha. Algo na vodke de Sukvailo não era certo. O líquido brilhava com uma luz púrpura, e as gotas que caíam no chão formavam pequenas poças que se moviam sozinhas.
— O que está fazendo, avó? — perguntou Karuna, aproximando-se devagar.
Sukvailo parou de dançar e encarou a menina com um sorriso que mostrava dentes demais para uma boca tão pequena.
— Ah, a heroína da meia fedorenta! — disse a velha, inclinando a cabeça como um pássaro. — Você limpou o espírito, mas esqueceu que todo feitiço deixa uma porta aberta. Eu vim pelos restos. Pelos sonhos que sobraram. Pela juventude que eles desperdiçaram.
— Não entendo.
— Claro que não entende. — Sukvailo ergueu a garrafa e bebeu um gole ela mesma. Instantaneamente, suas rugas suavizaram, seus cabelos brancos escureceram, e ela se tornou uma mulher de trinta anos, depois de vinte, depois de quinze. — Eu não quero apenas juventude, menina. Quero a infância de todos vocês. Quero os dias em que vocês corriam descalços, sem medo, sem dívidas, sem culpa. Quero devorar cada memória pura que têm.
Os aldeões começaram a cambalear. Alguns já eram crianças pequenas, outros haviam virado bebês, e um ou dois haviam desaparecido completamente, reduzidos a nada além de uma risada distante.
Karuna lembrou-se das palavras do velho sábio: confrontar com bondade. Mas como ser bondosa com alguém que quer roubar a infância de um povo inteiro?
— Avó — disse ela, ajoelhando-se no chão de terra. — Se você quer a infância, então me leve também. Leve minha memória mais antiga, a primeira vez que vi o sol nascer sobre as colinas. Mas em troca, me dê a sua solidão. Me dê os anos que você passou sozinha na floresta, contando as folhas que caíam. Vamos trocar.
Sukvailo parou. Seus olhos, agora jovens e brilhantes, perderam o brilho por um instante.
— Trocar? — repetiu, com a voz trêmula. — Ninguém nunca me ofereceu uma troca. Só queriam que eu fosse embora, que eu morresse, que eu desaparecesse.
— Você não quer desaparecer — disse Karuna, estendendo a mão. — Você quer ser vista. Quer que alguém lembre que você existiu. Me deixe lembrar de você.
Houve um silêncio denso, cortado apenas pelo choro de um bebê que, momentos antes, era o padeiro. Sukvailo olhou para a garrafa, depois para a mão estendida de Karuna, e algo se quebrou dentro dela — não a garrafa, mas o feitiço.
— Você é tola, menina — murmurou a velha, mas seus olhos estavam molhados. — Tola e corajosa. Fique com suas memórias. Fique com sua infância. Eu... eu vou voltar para a floresta.
— Espere — disse Karuna. — Antes de ir, me ensine a fazer a vodke. Não a sua, mas uma de verdade. Uma que aqueça o corpo sem queimar a alma.
Sukvailo riu, um som seco e verdadeiro.
— Talvez outro dia. Quando você for mais velha. Ou mais nova. O tempo é uma meia furada, menina. Não adianta remendar.
E, com um último olhar para a praça cheia de crianças confusas e adultos nuas, Sukvailo virou-se e desapareceu entre as árvores, levando consigo o cheiro de frutas podres e a névoa dourada.
Karuna ficou sozinha no centro da aldeia, cercada por risos de crianças que não sabiam quem eram, e por adultos que haviam perdido as calças mas ganhado uma segunda chance.
— Bom — disse ela, pegando a garrafa vazia que Sukvailo deixara cair. — Agora vou ter que ensinar todo mundo a vestir as calças de novo.
E, pela primeira vez em dias, Karuna sorriu.