AIBookCraft

História interativa

School the love

Uma linda historia de amor adolecente

Jogue as primeiras cenas de graça. Sem cadastro.

Anteriormente

…Ela passou os olhos pelos papéis quando um deles chamou sua atenção: "Você desenha bem." Não havia assinatura, mas a letra parecia familiar. Letra miúda, levemente inclinada para a direita. Sofia se virou. No fim do corredor, Lucas estava encostado na parede, olhando para ela. Ele desviou o olhar rapidamente, mas o sorrisinho que se formou nos lábios dela dizia que o segredo já não era tão secreto. O sinal tocou. Lucas se afastou, mas Sofia ainda guardava o bilhete na mão, aquecendo-o como se fosse uma promessa.

Sofia caminhou pelo corredor de volta para a sala, dedos fechados em torno do bilhete. O papel amassava entre as palmas suadas. O cheiro forte de café vinha da cantina, misturava-se ao perfume doce das flores que alguém havia deixado na janela. Cada passo parecia ampliar o calor que subia pelo peito, e a sensação era de leveza e ameaça ao mesmo tempo — como se estivesse à beira de um precipício e, pela primeira vez, quisesse saltar.

Na porta da sala, Lucas esperava, mochila jogada no ombro, o olhar perdido no celular. Por um instante, ele não percebe quando ela se aproxima. Mas sente. Levanta a cabeça, olhos castanhos brilhando sob a luz fluorescente, e um sorriso nasce, incerto, nos lábios — o mesmo que ela viu no corredor. Aquela cumplicidade silenciosa ainda pulsa entre os dois, frágil e intensa.

— Gostou do bilhete? — arrisca ele, voz baixa, como se temesse ser flagrado.

Sofia guarda o papel no bolso do casaco, sem conseguir conter o sorriso. — Achei fofo — responde. — Alguém tem bom gosto.

Lucas ri, tímido. O gesto faz seu cabelo cair ainda mais sobre os olhos. Ele se aproxima, baixando o tom. — Fico feliz. Achei que ia achar estranho…

— Eu achei bonito, de verdade — diz ela, firme, esforçando-se para não vacilar, não desviar o olhar.

O corredor se esvazia, vozes ecoando distantes. Por um momento, o tempo parece pequeno, moldado só por eles. O silêncio cresce, mas não é desconfortável. Os dois sentem o peso do que não dizem, o desejo novo de compartilhar um segredo.

Lucas coça a nuca, um gesto nervoso. — A gente podia começar o projeto hoje à tarde. Se quiser… posso te mostrar um lugar legal no parque, onde costumo ir pra pensar. Levo meu violão. Você leva o caderno.

Sofia hesita, surpresa pela proposta. Não por medo, mas porque percebe que o convite é mais do que parece. Um encontro disfarçado de estudo. A ideia faz seu estômago girar, ansioso. Lá fora, nuvens se acumulam, o céu transita entre o cinza e o dourado. O presságio de uma tarde diferente.

— Pode ser — responde, sentindo o coração bater forte, uma mistura de nervosismo e expectativa.

Lucas sorri, aliviado. Eles trocam olhares longos, um laço silencioso crescendo entre os dois. Antes que possam dizer qualquer coisa, a professora aparece na porta, chamando para a próxima aula. Eles entram, sentam-se juntos, a mesa pequena para tanto papel e intenção. Sofia sente o braço de Lucas roçar de leve no seu enquanto escrevem as primeiras ideias do projeto. Cada contato acidental faz sua pele arder.

Na saída, a chuva ameaça cair, mas só um vento frio atravessa o pátio. Sofia espera Lucas guardar o material. Quando ele se aproxima, estão tão perto que cada respiração se mistura. Lucas hesita, olhando para a boca dela, os olhos brilhando com algo novo. O tempo para. Sofia sente que, se ele se inclinar um pouco mais, vai acontecer. O momento paira, carregado de expectativa, um passo além da rotina — e do que conhece de si mesma.

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