Num instante, a figura se moveu com uma velocidade impossível, atravessando o quarto como uma sombra viva. O ar ficou frio, pesado. Os olhos vermelhos hipnotizavam, pareciam atravessar minha pele, procurando algo que eu mesmo ainda não entendia direito. Meu braço tremeu quando finalmente alcancei o anel no criado-mudo, fechando a mão ao redor da pedra quente.
No momento em que toquei o anel, senti uma onda de energia subir pelo meu braço — um calor que não queimava, mas empurrava meus músculos, obrigando-me a ficar de pé. A figura recuou um passo, como se sentisse o impacto do poder que agora brilhava entre meus dedos.
— Devolva — ela exigiu, mais firme, a voz ecoando como um trovão abafado.
Eu não respondi. Não podia. O medo era tão grande que prendia minhas palavras, mas ao mesmo tempo, algo dentro de mim se erguia. Não era só o medo. Era uma vontade bruta de resistir. O anel pulsava, guiando minha respiração, acelerando meu coração.
A sombra se aproximou mais. Agora eu podia ver o contorno do rosto: um homem de traços magros, pele acinzentada, olhos fundos e inquietos. Ele estendeu a mão. Dedos longos, quase transparentes, vinham em minha direção.
— Não sabe o que tem aí, garoto — sussurrou. — Isso não é brinquedo.
A energia do anel cresceu, fazendo minha mão vibrar. De repente, as luzes do quarto piscaram. A janela rangeu, sacudida por um vento que eu não sentia no rosto. Era como se o mundo inteiro girasse ao redor do anel.
Com um gesto impulsivo, apontei minha mão para a figura, e uma onda de força invisível atravessou o quarto. Um estrondo surdo ecoou e a figura foi lançada contra a parede, batendo com força, mas sem desmoronar. Os olhos arderam mais forte, uma chama de fúria e surpresa.
Ele se ergueu, devagar, um sorriso torto aparecendo no rosto pálido:
— Muito bem, Rafa... Vejo que já começa a entender. Mas não pense que acabou.
Ele ergueu as duas mãos agora, e uma fumaça negra se formou entre os dedos, se espalhando pelo quarto como uma neblina venenosa. O ar ficou pesado, difícil de respirar. Senti a energia do anel vibrando, instável, como se me dissesse para tomar uma decisão — agir rápido. Se eu hesitasse, talvez não tivesse outra chance.
A sombra avançou outra vez, os olhos brilhando ainda mais, a fumaça se aproximando do meu rosto, cortando meu campo de visão. O poder do anel queimava na minha mão, esperando meu próximo movimento.