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História interativa

O baile das sombras

A lendária festa das sombras

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…— Vou. E você? — Sim. Mas... não sei onde ele acontece. O convite só diz "sob a lua". Nesse momento, o lago começou a tremer. A água se agitou em ondas concêntricas, e do centro emergiu uma figura envolta em névoa. Era alta, vestida de preto, o rosto oculto por um capuz. — Os convidados estão prontos — disse a figura, com uma voz que ecoava como sino. — Sigam o rastro da lua. E, com um gesto, apontou para uma trilha que se formava entre as árvores, pavimentada por pequenas luzes prateadas. Clara e Lucas trocaram um olhar. Sem dizer nada, começaram a andar juntos pela trilha, cada um segurando sua máscara. A névoa se fechou atrás deles. O Baile das Sombras os esperava.

A trilha serpenteava pela mata, iluminada por pequenas chamas prateadas que brotavam do solo úmido. As árvores, altas e antigas, inclinavam-se acima de Clara e Lucas, seus galhos entrelaçados formando arcos, como um túnel vivo e sombrio. O silêncio só era quebrado pelo farfalhar de folhas e pelo som abafado dos próprios passos. Um frio inexplicável percorreu a pele de Clara, mesmo sob a camada brilhante que a máscara deixara em seus dedos.

Lucas parou por um instante, olhando para a máscara que carregava. O brilho prateado oscilava na superfície de madeira, refletindo a luz da lua através das árvores. Ele lançou um olhar de cumplicidade para Clara, os olhos brilhando na penumbra, e juntos recomeçaram a caminhada, impulsionados por uma ansiedade silenciosa.

A cada passo, a névoa se tornava mais espessa. O mundo comum ficava para trás. O ar era pesado de expectativa. Clara sentiu o coração acelerar. Lembranças do aviso de Antenor ainda ecoavam em sua mente: cada sorriso pode custar uma lembrança. Ainda assim, havia uma atração magnética na promessa do baile, na possibilidade do desejo realizado e naquele estranho ao seu lado, com quem partilhava agora um segredo.

A trilha terminou abruptamente diante de um portão antigo, forjado em ferro retorcido. Flores brancas e prateadas subiam pelas hastes. Atrás do portão, uma clareira se revelava: o chão brilhava como mármore úmido e, ao centro, dançarinos mascarados giravam em pares, suas roupas flutuando acima do solo. Música suave, de origem impossível de determinar, preenchia o ar. Não havia orquestra, apenas melodia. Luzes pairavam no alto como estrelas caídas.

Uma figura elegante, de vestido azul profundo e máscara cravejada de pedras, aguardava junto ao portão. Os olhos permaneceram fixos em Clara e Lucas. Com um gesto delicado, abriu o portão.

— Sejam bem-vindos ao Baile das Sombras — disse com um sorriso enigmático. — Aqui, a verdade dança com o desejo. Deixem seus nomes na entrada; lá dentro, só importa o que desejam ser.

Clara hesitou. Sabia que ao atravessar aquele limite, o mundo mudaria. Por um instante, Lucas tomou sua mão, um toque quente, inesperado. O gesto foi breve, mas carregado de promessa e nervosismo. Nenhum dos dois pronunciou palavra, mas a conexão entre eles se intensificou, pulsando entre os dedos entrelaçados.

Passaram juntos pelo portão. A atmosfera da clareira era diferente de tudo que Clara já sentira: um perfume doce no ar, luzes girando no ritmo suave da música e olhares mascarados pousando sobre eles, curiosos, atentos. Por todo lado, pares dançavam, mas alguns convidados caminhavam sozinhos à margem, observando, como se procurassem algo — ou alguém — cuja ausência doía.

Do outro lado do salão, um par de olhos dourados, por trás de uma máscara de raposa, encarou Clara por um longo momento. Um arrepio percorreu sua espinha. Lucas a puxou suavemente, os olhos buscando nos dela alguma resposta silenciosa àquele chamado misterioso, àquela noite cheia de promessas e perigos ocultos.

Antes que pudesse decidir, a dona do vestido azul aproximou-se, estendendo a mão para Clara, como quem convida para a primeira dança. Lucas hesitou ao lado dela, o rosto indecifrável sob a máscara, dividido entre ir junto ou deixá-la naquela esfera de luz e música que parecia viva, pulsante — e pronta para devorá-los, se permitissem.

O baile das sombras, afinal, acabara de começar.

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