O dia amanheceu com o céu pintado de um azul tímido, as nuvens flutuando preguiçosas acima da cidade ainda adormecida. Marina acordou antes do despertador tocar. Lá fora, ouviam-se apenas o canto de um sabiá e o som distante de carros iniciando a rotina. No quarto, Lucas ainda dormia, o corpo relaxado de quem não carrega o peso do mundo ao acordar. Marina observou o rosto dele, as linhas serenas na luz suave da manhã, e sentiu uma pontada de felicidade. Passou os dedos de leve pelos cabelos dele, sorrindo sozinha.
Ela se levantou silenciosamente, foi até a cozinha e começou a preparar o café. O aroma do pó fresco logo invadiu o apartamento. A cada pequena tarefa, Marina sentia-se envolvida numa espécie de tranquilidade, como se estivesse vivendo um sonho bom do qual não queria despertar. Enquanto a água fervia, seu celular vibrou. Uma mensagem de uma amiga: “Vocês formam um casal lindo! Que Deus abençoe esse amor.” Marina sorriu e respondeu com um emoji de coração. Por um instante, acreditou, com todo o ser, que tudo daria certo dessa vez.
Lucas apareceu na porta, ainda meio sonolento, usando apenas a calça de moletom. Aproximou-se dela e pousou as mãos em sua cintura, abraçando-a por trás. Marina fechou os olhos e se deixou envolver. “Bom dia, meu amor”, ele murmurou, o rosto encostado em seu ombro. Ficaram naquele abraço alguns segundos, aproveitando o silêncio e o calor um do outro. Depois, sentaram-se juntos para tomar o café, conversando sobre planos para o fim de semana, rindo de piadas bobas e trocando olhares cúmplices.
Quando Lucas saiu para o banho, Marina pegou o celular para ver as notificações. Entre as mensagens, percebeu que uma mulher havia curtido todas as fotos recentes de Lucas nas redes sociais. O nome não era familiar, mas o incômodo era sutil, uma pequena rachadura em sua confiança. Decidiu ignorar. Não queria começar o dia se preocupando com fantasmas do passado. Mas a dúvida ficou ali, em algum canto da mente.
Lucas voltou do banho, cheiroso e animado. Falou de uma reunião importante no trabalho, da vontade de viajar no próximo feriado, e Marina se esforçou para não demonstrar o incômodo. Despediram-se com um beijo demorado na porta do apartamento. Ela ficou alguns minutos olhando o vão vazio antes de se arrumar para trabalhar — um ritual que fazia questão de manter, para não se perder de si mesma.
No caminho para o escritório, Marina pensou nos sinais que já havia ignorado em relacionamentos anteriores. Não queria ser aquela mulher: a que desconfia, a que vasculha celular, a que projeta seus medos. Mas, ao mesmo tempo, uma voz insistente sussurrava que precisava proteger o que estava construindo. Passou por uma floricultura na calçada, pensou em comprar flores para si mesma e afastar os pensamentos ruins. Talvez mais tarde.
Ao chegar no escritório, Marina se jogou no trabalho, determinada a fazer o dia render. Mas quando pegou o celular para checar um e-mail, viu uma nova notificação: Lucas havia ganhado mais um seguidor feminino, dessa vez uma ex-namorada. O coração dela disparou de leve. Respirou fundo. Não bastava confiar em Lucas, precisava confiar em si mesma.
No fim do expediente, enquanto arrumava as coisas para ir embora, o telefone tocou. Era Lucas. A voz dele vinha baixa, um pouco tensa: “Preciso conversar. Pode passar aqui em casa mais tarde?” Por um instante, Marina ficou paralisada. O tom dele não era o mesmo de todas as manhãs. O medo se misturou à esperança. O que estaria prestes a descobrir?